07 Aug 2020


Histórias e “Causos” do Alberto, sua família, seus amigos (I)

Publicado em DIVANIR BELLINGHAUSEN
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Quando ele contava algum caso, nunca se sabia se era verdade ou mentira, pois às vezes, as verdades são tão incríveis, que mais parecem mentiras.
Nós da casa sabíamos. Por dois motivos: quando ele dizia ser um caso verídico, era real. Quando era mentira, seu rosto formava uma ruguinha especial ao lado dos olhos.
As histórias que vamos contar nos foram lembradas pela família e amigos, que com ele viajaram por este nosso Brasil, de ponta a ponta.
Outras histórias poderão aparecer, pois, sempre que seu nome é citado alguém se lembra de um novo, ou velho, “causo”.
Elas terminam no ano de 1979, quando ele faleceu aos 69 anos.
 
Revolução
Durante a revolução constitucionalista, o governo estava requisitando os homens solteiros para a luta. Muitos se casaram nesse momento, outros se alistaram e outros fugiram. Diziam que não iriam matar seus irmãos brasileiros.
Em S. Bernardo os rapazes foram para um lugar no mato chamado Montanhão.  O Alberto havia servido o exército, sido campeão de tiro, mas matar?...Isso não.
As famílias dos que lá estavam mandavam semanalmente um italiano com um burrico carregado com mantimentos. O acampamento ficava próximo a um rio. Certo dia o carcamano chegou na hora do banho, e os viu todos nus na beira do rio. Gritou:
-Scapatti desertore!
Foi uma corrida só. Todos fugindo, nadando no rio ou correndo pela mata. Quando perceberam a brincadeira, o Alberto, o Arlindo e demais “desertores” estavam todos machucados e arranhados durante a fuga entre os arbustos da mata.
O italiano quase foi linchado.
 
Ilha Comprida
Alberto e seus amigos foram caçar na Ilha Comprida, em Iguape, SP. Ele e o Gomes foram por uma picada no mato e começaram a ouvir um barulho esquisito: - toc... toc...toc... Psiuuuuuu.....toc...toc...toc...psiuuuuuu...
Ficaram muito assustados pensando o que seria. Cobra? Não! O que então?
Em silêncio, foram investigar.
Na beira de um riacho, estava um pica-pau que batia o bico em um tronco e em seguida mergulhava-o na água para que esfriasse.
Causo?...Rsss
 
O cachorro
A turma do Alberto só viajava enquanto o dia tinha claridade. A partir da 16h, eles paravam na cidade em que estivessem passando. Sujeitavam-se assim a pernoitar em hotéis ou pensões sem muito conforto.
Contava o Alberto que numa pequena pensão o dono disse:- Se soubesse que teria hospedes hoje, teria caçado perdizes para o almoço de amanhã. Como tenho compromissos, não poderei caçar.  Disse que tinha um cachorro de caça, que tocaiava os pássaros como nenhum outro. Que ele já tinha rejeitado Cr$ 50.000,00 pelo cachorro.
A turma ofereceu-se para ir caçar, quando souberam que a dona da pensão preparava as perdi-zes como ninguém, e levaram o cachorro junto.
Vai agora uma explicação para quem não sabe. O cachorro de caça, quando fareja a perdiz, fica imóvel, até o caçador mirar a arma. Aí, ele dá um bote, a ave alça vôo, o caçador atira e o cão traz a ave pela boca, até os pés do caçador. Pois bem. Eles já haviam pegado 3 perdizes e acharam que só mais uma bastava. O cão tocaiou, deu o bote, o Alberto atirou. Nesse instante mais uma ave levantou vôo, e instantaneamente o Alberto deu mais um tiro. O cão começou a ganir, desesperadamente. Os amigos trocaram olhares preocupados. O segundo tiro teria acertado o valioso animal?
Nisso, aparece o cão no meio da vegetação com uma ave na boca e arrastando uma das pernas traseiras. Eles ficaram apavorados... Até perceberem que com a perna traseira ele puxava a outra perdiz.
Esse final da história era encenado pelo Alberto imitando o cão e arrastando a perna. (Continua).

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