28 Nov 2021

Publicado em Editorial
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A imprensa, nacional e mundial, assistiu, mais uma vez, estarrecida, aos episódios de ataques aos profissionais de comunicação, da última semana. No domingo (3), no Dia da Liberdade de Imprensa, manifestantes em Brasília agrediram com chutes, socos e empurrões a equipe de profissionais do Estadão, que trabalhava cobrindo o evento. Um deles, o fotógrafo Orlando Brito, de 70 anos de idade. Já na terça (5), grupo de repórteres, durante coletiva, em frente ao Palácio do Planalto, ouviu, em tom alto e ameaçador, por repetidas vezes, “cala a boca”.
Não é preciso ir até Brasília para se registrar esse tipo de tratamento, afrontoso, depreciativo e desrespeitoso. Achincalhar jornalistas também acontece pelo ABC. Recentemente, faltou pouco para jornalistas serem expulsos do gabinete de um prefeito da região. Contrariado por uma pergunta que não agradou, berrou, gesticulou e ameaçou a “convidá-los” para se retirar.
Paira nos políticos uma incapacidade de compreender a atividade jornalística. É neste momento, portanto, que se faz essencial relembrar qual é a serventia da imprensa em uma democracia. O escritor George Orwell, que entendia como poucos a essência do totalitarismo, dizia que, “se liberdade significa alguma coisa, significa o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir” e ainda “jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”.
A imprensa estará cumprindo bem seu papel se mantiver em relação ao governo o distanciamento necessário para ter sobre ele uma visão questionadora e independente. Os jornalistas trabalham para levar os fatos de interesse público ao conhecimento da população e têm o direito e o dever de inquirir as autoridades públicas.
Também há o reflexo da sociedade brasileira, que, na sua maioria, não cultua hábitos de leitura, aos veículos de comunicação, sejam eles impressos ou online, se limitando a lerem, apenas, manchetes, nas redes sociais ou grupos de WhatsApp, e proclamarem informações deturpadas e incompletas, mas, portando-se como grandes entendedores do assunto. Segundo levantamento da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícia (WAN-IFRA), o Brasil não figura entre os dez países que mais leem jornais, mais leem notícias e mais consomem jornalismo. Em primeiro lugar está a Áustria, seguido do Japão, Suíça, Índia, Noruega, Cingapura, Finlândia, Dinamarca, Holanda e Alemanha. Em análise, poderia se afirmar que são apenas países desenvolvidos, mas, em 4º lugar ficou a Índia, enorme países com grade desigualdade social e muita miséria, assim, como o Brasil.
A imprensa surgiu no Brasil, em 1706, em Pernambuco. Depois, em 1747, no Rio de Janeiro. E, mais tarde, em 1807, em Vila Rica, Minas Gerais. Essas três tentativas foram suprimidas por ordem do governo português. O objetivo da Coroa era manter a Colônia atada a seu domínio, nas trevas e na ignorância. Manter as colônias fechadas à cultura era característica própria da dominação. A ideologia dominante deve manter o povo ignorante. O que mudou desde 1706? Os políticos continuam tendo interesse em divulgar, apenas, suas “brilhantes”, sem a interferência da imprensa, sem o questionamento, sem serem colocados em xeque.
Há quem diga que, a despeito de tudo isso, a imprensa deveria “colaborar” para que o governo seja bem-sucedido, pois disso dependeria a economia e o bem-estar do País. Porém, colaborar não significa desonrar a liberdade e a imparcialidade, valores primordiais e todo e qualquer jornalista.
Portanto, como sentenciou Camille Desmoulins, durante a Revolução Francesa:“o preço da liberdade é a eterna vigilância”.

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