28 Nov 2021


O triunfo do “e daí?”

Publicado em Editorial
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O presidente Jair Bolsonaro está com a melhor avaliação desde que começou o seu mandato. Segundo pesquisa Datafolha, 37% dos brasileiros consideram seu governo ótimo ou bom, ante 32% que o achavam na pesquisa anterior, feita em 23 e 24 de junho. A curva de rejeição também registrou queda, de 44% para 34% dos que consideravam ruim e péssimo no período.
A alta nas pesquisas de avaliação não pode ser creditada, apenas, ao auxílio-emergencial. Até terça (18), a Caixa havia pago R$ 161 bilhões para 66,4 milhões de beneficiários.
Também é preciso considerar a ineficiência, à esquerda, ao centro e aos opositores. Com a proximidade das eleições, por parte dos prefeitos, fica difícil pensar em ataques ou investidas efetivas contra o presidente, ainda mais que as Prefeituras também receberam verbas federais para auxiliar no combate ao novo coronavírus. O Ministério da Cidadania liberou R$ 331,4 milhões para o Sistema Único de Assistência Social (Suas) de Estados, municípios e do Distrito Federal, para aumentar a capacidade de assistência às famílias e aos indivíduos em situação de vulnerabilidade e risco social devido a Covid-19. O momento, por parte dos que disputarão à reeleição, é de agir estrategicamente, tomar decisões mais adequadas e manter um eleitorado cativo, cooptar o indeciso e atacar, sem piedade os seus rivais.
Não há no Brasil um papel efetivo da oposição. Desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição sempre permaneceu na sombra, ou quando tentou se movimentar, não houve união, faltou entendimento até no período que estourou o escândalo do mensalão no País. Atualmente, ainda que houvesse um papel efetivo, por parte da oposição, não poderia ser utilizado o modelo que já foi sucesso anteriormente, o “nós contra ele” ou “todos contra um”, simplesmente porque a população iria reforçar a ideia de que há algo errado, que o objetivo é preservar o “sistema” e os privilégios dos corruptos da “velha política”. Deveria haver equilíbrio entre os contrastes provocados pelas diferenças ideológicas partidárias, para, quando necessário, haver união dos partidos opositores, para propósitos maiores, em defesa à democracia e ao Estado Democrático de Direito.
Bolsonaro também parece ter mudado o tom do seu discurso. Os polêmicos aforismos que chocavam e estampavam as manchetes dos jornais e chamadas nos noticiários parecem ter dado um tempo. Os filhos parlamentares, também, parecem ter amenizado o tom dos discursos. O tão mencionado “gabinete do ódio”, nas reportagens, não estaria exalando mais tanto ódio assim?
O brasileiro parece ter mergulhado num estado de letargia. Para 47% da população, o presidente não tem nenhuma responsabilidade pelo altíssimo número de mortes por Covid-19 no País que governa. E, neste caso, não se fala apenas dos famosos comentários: “gripezinha”, “fantasia”, “e daí?" e “todos vão morrer um dia”, e da falta do uso de máscaras em ambientes públicos, mas de País no qual não há, em plena pandemia, um ministro da Saúde há mais de 90 dias.
São mais de 111 mil mortos pela Covid-19 no Brasil, mas nem os políticos, nem a população está interessada nisso. Quem demonstra interesse é a “mídia esquerda”, os “petistas”, ou qualquer um que queira destruir o “mito”, afinal, o povo tem mais o que fazer e com o que se preocupar. Igualmente, pouco importa se a “velha política” do “toma lá, dá cá” tenha retornado ao Congresso, com protagonismo do “Centrão”, o brasi-leiro não está interessado.

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