28 Nov 2021


O descaso das queimadas

Publicado em Editorial
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Este mês de setembro pode ser o mais devastador da história em número de incêndios no Pantanal. Mais de 1,5 milhão de hectares e ao menos 79 municípios sul-matogrossenses foram atingidos pelo fogo, incluindo áreas de proteção ambiental e de preservação permanente.
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inepe), apenas entre os dias 1 e 13 de setembro, foram identificados 4.611 focos de incêndio no bioma, o que representa o maior número para o mês de setembro, nos últimos 22 anos.
O fogo que destrói, desde meados de julho, o bioma do Pantanal, que é o mais úmido do planeta, já engoliu mais de 64,7% dos 108 mil hectares do Parque Estadual Encontro das Águas. É aterrorizante ver as imagens, divulgadas pela mídia, das onças-pintadas, com as patas em carne viva, fugindo das chamas e das centenas de animais que foram queimados até a morte.
Historicamente, por ser o auge do período seco, os meses de agosto e setembro são os mais intensos nas queimadas na região. Considerando o estrago já causado desde o dia 1º de janeiro e 13 de setembro de 2020, esse já o maior da série histórica, com 14.764 focos de queimadas, apenas no Pantanal.
Segundo reportagem publicada pela revista The Economist, por décadas, os ambientalistas alertaram que o mundo “pegaria fogo”. Ainda que o sentido fosse figurado, as imagens de incêndios varrendo a estepe da Sibéria, a floresta amazônica, regiões da Austrália, a Califórnia e, agora, o Pantanal, deixaram muito claro que o planeta está, literalmente, em chamas.
O meio-ambiente já está em colapso. Pesquisa realizada pela Ipsos, para o último Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), mostrou que a pauta da preservação ambiental tem relevância para muitos brasileiros. Na opinião de 85% dos entrevistados, a proteção do meio ambiente deve ser uma prioridade do governo no plano de recuperação do país pós-Covid-19.
Porém, o interesse da população no tema não se estende aos políticos. Com menos de dois meses para o 1º turno das eleições municipais, a pauta verde, ainda está, por enquanto, de fora das prioridades da maior parte dos candidatos nas eleições deste ano. A avaliação de especialistas e dos próprios políticos é de que a pandemia do novo coronavírus despertou interesses mais urgentes, intensificando a preocupação com problemas imediatos como saúde e renda. Além disso, há a percepção de que a preservação do meio ambiente seja de responsabilidade do governo federal e que sua discussão deve ser feita a nível nacional e internacional.
Acreditar que o problema ainda está longe, no Pantanal, e que a região do ABC nada tem a ver com problemas ambientais, é tapar o sol com a peneira. No começo deste mês de setembro, ainda no inverno, a região alcançou temperaturas elevadas que beiraram os 35°. Algo que foi celebrado pela população com idas às praias, porém, que merece atenção dos especialistas. Há algo errado. Também ao circular pelas principais ruas e avenidas das cidades do ABC é possível assistir, diariamente, dezenas de árvores saudáveis sendo arrancadas, sem a maior cerimônia. Políticos do ABC parecem ignorar o fato de que há algo errado, e que isso já tem afetado a população local. A questão ambiental não recebe atenção e sequer é debatida pelos candidatos a prefeito do ABC. Mais uma vez, deixa-se o problema para depois. Porém, se nada for feito, muito em breve, teremos um grande colapso climático e seus efeitos serão bem piores do que tem sido a pandemia da Covid-19.

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