28 Nov 2021

Publicado em Editorial
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Os shoppings inauguram suas decorações de Natal, as vitrines das lojas se enfeitam para uma das datas mais aguardadas do ano, pelos varejistas e, com isso, reacende a esperança de aquecimento no comércio, com bons índices de vendas, junto a outra data que já foi incorporada ao calendário do varejo nacional, a Black Friday. Em 2019, a data movimentou R$ 3,87 bilhões em compras. Mas, em ano de pandemia, a recuperação econômica do País ainda não apresenta índices tão otimistas assim.
Segundo dados do Monitor do PIB-FGV, publicação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no segundo trimestre do ano, a economia despencou 9,7%, já no terceiro trimestre, apresentou breve melhora, recuando para 7,5%. As atividades econômicas, no período de julho a setembro foram de 4,4% inferior à de um ano antes e 5% menor que a dos três meses finais de 2019.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) deverá anunciar o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro e último semestre do ano está programado para quinta (3) de dezembro, mas o balanço geral de 2020 só deverá ser conhecido no começo de março do próximo ano.
O País deverá chegar ao final do ano com uma dívida pública próxima a 100% do PIB. O endividamento poderá se tornar um problema alarmante se os gastos com o auxílio emergencial, até então indispensáveis, forem estendido. O líder do governo na Câmara, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), afirmou na terça (24) que “não haverá extensão do auxílio emergencial. Não está previsto orçamento de guerra para 2021”. Além disso, o câmbio não parou de depreciar desde o começo do ano, os sinais de inflação já são evidentes e ainda cresce o risco de o Banco Central ter de subir os juros.
Uma das boas notícias é o desempenho da indústria. Após seis meses de quedas consecutivas, na comparação interanual, a atividade do setor conseguiu voltar ao nível pré-crise já em setembro. Porém, um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que, muitas fábricas ainda estão com os volumes de produção aquém aos produzidos em 2019, como por exemplo o setor de veículos automotores e vestuário. Ambos ainda não conseguiram recuperar o patamar do início do ano. Em comparação com 2019, no acumulado do ano, a produção de veículos apresentou queda de 36% e de roupas, de 31,6%.
Outra ameaça à indústria é a falta de matéria-prima, que já é maior em 19 anos e já tem levado muitas empresas a reduzirem a produção. Segundo pesquisa da FGV, há escassez de matéria-prima em pelo menos 14 dos 19 segmentos da indústria e o setor de vestuário é o que mais sente os efeitos da falta de insumos e componentes, 74,7% das empresas foram afetadas, além dos fabricantes de produtos de plástico (52,8%), limpeza e perfumaria (39,1%), farmacêutica (34,2%), informática e eletrônicos (33,1%), além de empresas dos ramos de produtos de metal (31%), couro e calçados (31,1%) e químico (27,9%), entre outros.
Contudo, a análise de muitos especialistas é de que a recuperação da economia brasileira é positiva. Esse fôlego econômico, que o Brasil apresentou, nesses últimos meses, não pode ser colocado em risco. O efeito das datas comemorativas nas ações dos shoppings, comércios e da própria indústria, não pode ser ofuscado caso a segunda onda da Covid-19 se confirme no País.

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