28 Nov 2021


Os desafios dos reeleitos

Publicado em Editorial
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No ano mais difícil da última década, devido à pandemia do novo coronavírus e sua crise, não só sanitária, mas econômica, a reeleição dos prefeitos de Santo André, Paulo Serra e de São Bernardo, Orlando Morando, demonstrou que a população está razoavelmente satisfeita com suas administrações, considerando as circunstâncias excepcionais geradas pela Covid-19. Em São Caetano, José Auricchio Júnior, no terceiro mandato como prefeito na cidade, também saiu vitorioso das urnas, como o mais votado, porém, ainda aguarda os desdobramentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para reverter sua inelegibilidade.
Apesar dos prefeitos não terem tido dificuldades para serem reeleitos, isso não significa que encontrarão facilidade para governar, no novo mandato que se inicia, no próximo 1º de janeiro de 2021.
Há desafios urgentes a serem enfrentados. Os prefeitos terão que, não somente lidar com a possibilidade de uma verdadeira nova onda de contaminações, mas principalmente de proporcionar as condições para que as cidades se recuperem desse imenso baque, seja no sistema de Saúde ou na própria economia. Além disso, há problemas antigos, tão conhecidos, recorrentes há muitos anos, e que têm se mostrado, até então, insolúveis pelos antigos prefeitos da região, se arrastando de administração em administração. Está mais do que na hora de superá-los.
Iniciam e terminam gestões no ABC e, temas como melhora da qualidade do ensino, déficit habitacional ou de médicos na rede de saúde, combate às desigualdades e maior atenção ao meio ambiente, seja manutenção das poucas áreas verdes que sobraram ou na limpeza de córregos e rios, seguem estagnados, com pouca ou nenhuma melhora em seus índices.
Não há uma hierarquia dos temas, mas é inevitável eleger, entre as prioridades, o sistema de Saúde, que está sob forte tensão em razão da pandemia. Há falta de médicos e de outros profissionais para trabalhar com um sistema cada vez mais sobrecarregado. O programa Saúde Fila Zero, que foi implantado, no início das gestões de Serra e Morando, com a promessa de zerar as filas de espera por consultas, exames e cirurgias, não se manteve ao longo dos anos. Há munícipes em Santo André e São Bernardo, que esperam, há mais de um ano, por exames ou cirurgias.
Também devido à pandemia, a Educação deve ser um dos mais importantes no próximo mandato dos reeleitos, sobretudo porque a crise sanitária escancarou a desigualdade nesse setor. A evasão escolar será o maior problema que os prefeitos deverão enfrentar. Com tanta dificuldade, não só em acessar o conteúdo online das aulas, por falta dos equipamentos necessários, como tablets e computadores, mas devido à própria crise econômica nas famílias. Muitas crianças moradoras das áreas periféricas do ABC se renderam às facilidades de dinheiro fácil do tráfico de drogas e, reverter isso, será uma missão quase impossível.
A desigualdade econômico-social também foi fortemente agravada. Não faltam apenas empregos, falta mão de obra capacitada para assumir as vagas oferecidas. A mobilidade urbana continua a ser um setor com problemas crônicos, com congestionamentos cada vez piores. No transporte público, se o de São Bernardo ganha prêmio como o melhor do Estado de São Paulo, o de Santo André está no caminho inverso.
Urge, portanto, a necessidade de uma ação decisiva para os prefeitos, com ações efetivas que possam estancar a sangria de anos e anos de problemas crônicos. Porém, os mesmos terão, ainda, como desafio, equilibrar e separar os planos para as cidades, das próprias pretensões políticas futuras, para as próximas eleições.

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