28 Nov 2021

Publicado em Editorial
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O resultado das eleições para a presidência da Câmara dos Deputados, com a vitória de Arthur Lira (PP), e do Senado, com Rodrigo Pacheco (DEM), na segunda (1), não deixou dúvidas. Não parece que houve alternância de poder, da esquerda para a direita. A política brasileira continua sendo como sempre foi nas últimas décadas.
Depois da derrota nas eleições municipais, nas quais dos 63 candidatos que o presidente Jair Bolsonaro indicou apoio, apenas 5 prefeitos e 11 vereadores foram eleitos, Bolsonaro percebeu que era preciso trazer os partidos de centro-direita e direita para mais perto e contar com eles para eleger os seus candidatos às presidências da Câmara e do Senado. Virou o jogo, saiu vitorioso, nas duas Casas, elegendo os seus candidatos. O presidente conseguiu convencer até que rivais convergissem na mesma direção, sobretudo na disputa pelo comando da Câmara.
A Carta Magna de 1988 diz no seu artigo 1º, parágrafo único, que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Porém, nessas eleições do Congresso, o povo, que elegeu todos os parlamentares, sejam os 513 deputados ou os 81 senadores, não foi sequer lembrado.
Chega a ser ingênuo a expectativa de que o resultado das eleições no Congresso dará ao governo, melhor condição de governabilidade. O governo, diante da disputa pelos comandos da Câmara e do Senado, abriu o cofre e destinou R$ 3 bilhões para 250 deputados e 35 senadores aplicarem em obras em seus redutos eleitorais. O dinheiro é proveniente do Ministério do Desenvolvimento Regional.
Apenas em janeiro, o governo federal pagou um volume recorde de emendas parlamentares em janeiro. No total, foram destinados R$ 504 milhões para redutos eleitorais de deputados e senadores até o último dia 26 de janeiro, de acordo com dados do portal Siga Brasil, do Senado Federal. O valor é maior do que a quantidade paga no mês inteiro em qualquer ano anterior.
Mas, os representantes do Centrão, que atualmente é formado por parlamentares do PP (40 deputados), Republicanos (31), Solidariedade (14) e PTB (12), mas em alguns momentos, também recebem parlamentares do PSD, MDB, DEM, PROS, PSC, Avante e Patriota; são insaciáveis por obter novos estímulos fisiológicos. Caso não continuem a receber, o País corre o risco de não avançar, significativamente, a agenda econômica, com a aprovação das reformas? O Centrão não tem votos suficientes para aprovar leis ordinárias, por exemplo, mas pode impedir que um eventual processo de impeachment consiga avançar.
E como escreveu o jornalista William Waack, no jornal O Estado de S.Paulo, “é possível que o dia 1º de fevereiro de 2021, data da oficialização do comando do Centrão nas principais esferas da política, talvez sirva aos historiadores no futuro para marcar o fim de um intenso período nessa linha do tempo, o da onda disruptiva de 2018. É também a data da dissolução da força-tarefa da Lava Jato, sem a qual essa onda é impossível de ser entendida. Talvez os historiadores no futuro considerem que não foi mera coincidência”.
Quando será que, de fato, acontecerá o que escreveu o presidente Bolsonaro, em recente post, nas redes sociais: “iniciamos um novo capítulo e temos uma nova oportunidade de trabalhar em conjunto pelo Brasil; colocando o país, e não mais interesses pessoais, no coração de cada decisão tomada; respeitando, acima de tudo, os anseios e as tradições do povo brasileiro”?

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