28 Nov 2021

Publicado em Editorial
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Com a pandemia prestes a completar um ano, o home office, que foi adotado por muitas empresas, tem aumentado a onda de devoluções dos escritórios e espaços físicos.
Segundo dados do IBGE, 7,3 milhões de brasileiros (9,1% da população ocupada) estavam trabalhando de forma remota (à distância, home office) em novembro de 2020. Em outubro último, o percentual era de 9,6% (7,6 milhões de pessoas).
A onda de devoluções de escritórios já começou e deverá se agravar neste ano. Segundo a JLL, empresa americana especializada em imóveis corporativos, a taxa de disponibilidade de espaços em edifícios corporativos subiu cerca de 50% do primeiro para o último trimestre do ano passado. O total de imóveis sem inquilino, que era de 13,6% entre janeiro e março, na pré-pandemia, fechou 2020 acima dos 20%. No Rio de Janeiro, a taxa de vacância já chega a 40%.
As devoluções dos espaços físicos não ocorrem apenas com empresas menores, grupos grandes e tradicionais, como a Latam, os bancos Itaú Unibanco e o Banco do Brasil também têm optado pela entrega de seus escritórios. A nova realidade está clara: o mercado de trabalho e os profissionais terão um componente forte no pós-pandemia, o home office.
Principalmente, em negócios que não dependem tanto da interação com o cliente, o corte dos espaços físicos pode ser mais radical. Mas, a expectativa da JLL é de que até um terço da força de trabalho da área corporativa deva, prioritariamente, trabalhar de casa.
Muitas empresas já reduziram seus escritórios em 40%, 50% e até 100% e as que já devolveram os imóveis são porque estão sobrevivendo bem ao modelo home office e a tendência é continuar assim por um período. Ainda não dá para saber se de forma permanente, mas muitos perceberam que conseguem rodar bem assim. Outras, que devolveram seus escritórios por uma pura necessidade de caixa. O aluguel com espaço físico pode representar de 20% a 30% das despesas de um negócio.
Apesar disso, a contínua inauguração de novos edifícios comerciais em São Paulo tende a continuar, desenhando um cenário otimista para um futuro pós-vacina. A projeção é de que a oferta de espaços corporativos suba para mais de 200 mil m² em 2021. Mas, os imóveis corporativos, que apostavam em grandes metragens para empresas de renome, terão de mudar de estratégia. Isso porque muitas empresas devem reavaliar os espaços e, devido a adesão em massa pelo home office, haverá também, a demanda por espaços físicos mais flexíveis e até mesmo no modelo compartilhado.
Já os preços de venda e de aluguel de imóveis comerciais, de acordo com pesquisa FipeZap, tiveram queda de 1,08% em 12 meses no acumulado até novembro de 2020. Já o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários da bolsa (IFIX) terminou o último ano com variação negativa de -11%, refletindo o aumento da vacância, das devoluções e também a maior inadimplência.
Para 2021, a taxa de vacância continuará em ascensão, pelo menos, até o final deste primeiro semestre, devido às devoluções em negociação e das entregas de edifícios que foram postergados para 2021. Mas, em uma visão mais otimista, a depender de como as coisas se desdobrarão, principalmente, em relação à vacina e à economia, até pode ser que essa curva comece a cair, no segundo semestre.

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