28 Nov 2021

Publicado em Editorial
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Com o clima de “o pior já passou”, “novo normal” e o relaxamento das medidas restritivas de contenção ao novo coronavírus, os brasileiros, desde as festas de final de ano, em dezembro último, têm perdido o “medo” da Covid-19 e, com isso, afrouxado as medidas de combate à doença, como o distanciamento social, uso de álcool em gel e de máscaras.
Basta percorrer lojas de grandes ruas comerciais ou até mesmo shoppings. Na maioria dos lugares, não há mais aferição de temperatura e os dispensers de álcool gel ficaram de escanteio. Também é comum ver vendedores que abaixam as máscaras em determinados momentos. Há academias, em Santo André, que permitem treinos sem o uso delas também. Não há fiscalização. Nos bares, a situação é um pouco pior. Os frequentadores já chegam sem, ou quando ainda chegam com elas, as retiram e não as colocam nem para ir ao toilete. Também há diversas festas clandestinas, com aglomerações e reuniões particulares, que parecem inofensivas, mas que disseminam o contágio.
De fato, os brasileiros perderam o receio da Covid-19. Os altos números de casos, mortes e taxas de ocupação em leitos de UTIs não impressionam mais e, cada vez mais, as pessoas se arriscam nas ruas, estabelecimentos comerciais, sem fazer uso das medidas contra a propagação da doença, principalmente, com falta do uso de máscaras. O Brasil, nessa semana, chegou a 250 mil óbitos por Covid, com média móvel recorde de 1.129 mortes por dia. O País contabilizou mais de 10,3 milhões de casos por Covid-19 desde o início da pandemia, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa. A média móvel de mortes está acima de 1 mil há 35 dias.
A situação não está sob controle, nem o “pior já passou”, como anunciaram alguns políticos. Tanto que o Governo de São Paulo anunciou, na quarta (24), medidas de restrição de circulação, das 23h às 5h, até o dia 14 de março. O novo decreto não irá prejudicar as atividades comerciais, nem prestação de serviços, posto que neste horário, especificamente, não estão em funcionamento. Os serviços essenciais continuarão a funcionar, normalmente, durante qualquer período, inclusive o horário restrito. Na prática, o Estado visa endurecer a fiscalização contra aglomerações em qualquer horário e eventos ilegais ou proibidos aos finais de noite e madrugadas. De acordo com dados do Centro de Contingência do Coronavírus, houve aumento de 9,1% no número de internações por Covid-19 no Estado, na comparação, entre a 7ª e 8ª semana epidemiológica e um aumento expressivo na ocupação de leitos de UTIs nos últimos dez dias. Segundo Paulo Menezes, coordenador do Centro, há a possibilidade de esgotamento dos leitos hospitalares em até três semanas.
No ABC, a situação não é diferente. Nessa semana, a região bateu a marca de 47 mortes por Covid-19 em 24h, segundo boletins da Secretaria de Saúde do Estado, fato que não ocorria desde julho do ano passado, no auge da pandemia. O ABC já possui taxa de 70,8% de ocupação de UTI. Com isso, os prefeitos locais adotaram o “lockdown noturno”, com o encerramento das atividades comerciais, com exceção de farmácias e equipamentos de saúde, a partir das 21h até às 4h. A determinação vale a partir deste sábado (27) e segue até o dia 7 de março.
É difícil acreditar que, em apenas sete dias, o lockdown noturno do ABC surta algum efeito. Sete dias é um prazo muito pequeno para fazer com que o contágio, os índices de internações e mortes apresentem queda. Se a população não colaborar seguindo os protocolos de segurança, adiando encontros com aglomeração, as medidas restritivas só irão aumentar, mesmo com a vacinação, que ainda caminha em passos de tartaruga em todo País, com apenas 2,92% da população.

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