28 Nov 2021

Publicado em Editorial
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O Brasil bateu recorde de mortes em 24h, na quinta (4), foram 1.840, trata-se do maior número desde o primeiro caso de Covid-19 no País, em fevereiro do ano passado. No Estado de São Paulo foram 468 mortes, apenas, na terça (2). Segundo levantamento da Fiocruz, pelo menos 18 Estados e o Distrito Federal têm mais de 80% da ocupação dos leitos, sendo que o Rio Grande do Sul ultrapassou os 100% da capacidade e um hospital de referência alugou um contêiner refrigerado para ampliar a capacidade do necrotério. No ABC, nessa semana, os índices de internação em leitos de UTI ultrapassaram os 88%.
A mortalidade no País já supera os piores índices do ano passado, a economia patina, perdendo investidores internacionais, dia após dia. O dólar tem oscilado em níveis elevados com tamanha instabilidade política do País e o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro registrou a pior queda em 24 anos, com recuo de 4,1% em 2020, na comparação com 2019.
Uma das únicas esperanças para se voltar a algo próximo a antiga “normalidade”, a vacinação, caminha em passos de tartaruga, devagar e parando. Até quarta (3), eram apenas 6,7 milhões de um universo de cerca de 220 milhões de brasileiros, o que corresponde a 3,2% da população nacional. Na terça (2), o agendamento para vacinação na população de 77 a 79 anos foi interrompido em Santo André, por falta de doses. Em São Paulo, idosos, após 5 horas na fila de drive-thru voltaram para casa sem serem vacinados. As doses disponíveis são insuficientes e os brasileiros amargam o gosto da ineficiência, da desorientação, da ignorância, do desleixo e da imprevidência de suas lideranças.
Médicos e especialistas da área de Saúde já alertavam, desde a semana passada, que se os índices de internações e mortes não diminuíssem haveria colapso total na rede hospitalar em todo o País. A infectologista Thaís Guimarães, do Hospital das Clínicas de São Paulo, disse em entrevista à CNN, que haveria um “cenário de guerra” nos próximos dias, com pessoas morrendo por Covid-19 dentro das próprias casas ou na entrada de hospitais superlotados. Mais um cenário de guerra no Brasil, como se já não bastasse a guerra pela recuperação econômica e a guerra política, rumo às eleições de 2022. Mas, se houve quem mais acertou em prognósticos, desde o início da pandemia, foram os próprios médicos e cientistas.
Na quarta (3), devido à piora dos indicadores epidemiológicos no Estado de São Paulo, o governador João Doria, por orientação do Centro de Contingência do Coronavírus, decretou a reclassificação dos 645 municípios paulistas para a fase vermelha, a mais restritiva, onde apenas os serviços essenciais podem funcionar, até o dia 19 de março. A medida desagradou e enfureceu muitos comerciantes, empresários e trabalhadores.
Mas de quem é a culpa, afinal? Se há culpados, há muitos brasileiros que são mais culpados que qualquer político. São culpados, aqueles que se aglomeram em bares, festas, praias, que não fazem uso das máscaras, que fazem chacota ou negligenciam os protocolos sanitários contra a Covid-19, e principalmente. E quem paga por isso? O preço é alto, há mais de 40 dias o Brasil perde o equivalente ao número de tripulantes de cinco aviões caindo por dia. São milhares de vidas e sonhos sendo ceifados e famílias enlutadas vivendo um verdadeiro inferno.
O “negacionismo” à Covid-19 não ceifa apenas milhares de vidas de avós, pais, mães, irmãos amigos, ele também arrasa com a economia, que infelizmente já está há meses respirando por meio de ventilação mecânica. E caso essa grande parte da população insista em utilizar as máscaras nos “olhos” ao invés de cobrir boca e nariz, o País ainda passará por dias tenebrosos.

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