28 Nov 2021


O discurso da estupidez

Publicado em Editorial
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“Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta” afirmou o físico e teórico alemão Albert Einstein. Já Claude Chabrol, diretor de cinema, produtor de filmes, ator e roteirista francês, considerado por muitos críticos o inaugurador da Nouvelle Vague, disse: “A estupidez é infinitamente mais fascinante do que a inteligência. A inteligência tem seus limites, a estupidez não”.
Sigmund Freud, em 1913, antes mesmo de vivenciar o período sombrio da gripe espanhola, escrevera que não havia "nada mais caro na vida que a doença - e a estupidez". As três frases não poderiam ilustrar melhor o atual momento que se vive no Brasil. Com quase 400 mil mortes de Covid-19 no País, uma população quase cansada e esgotada pelas cumprir medidas de isolamento social, a vacinação deveria ser algo desejado por todos, de maneira urgente.
Mas, há uma ausência de discernimento, da capacidade de avaliar as coisas com bom senso e clareza, sem forma, nem rosto. Há apenas vociferações, discursos marcados pelo ódio, que visam impedir qualquer possibilidade de diálogo. O ódio proporciona uma visão obtusa da realidade, um garatujar uníssono, reações truculentas, um verdadeiro descalabro, não só à democracia, mas a simples reflexão, reduzindo totalmente a inteligência. Ele constrói, de maneira grosseira, uma realidade paralela, a ser seguida, sem que seja necessário fazer reflexões. Há um amplo arsenal de “verdades” incontestáveis, muitas vezes meras fake news, que transfiguram o absurdo num verdadeiro espetáculo da estupidez.
Então, tudo se torna cativante, atraente, ao ponto das pessoas ficaram cegas, ou surdas para tudo aquilo que destoa, diverge, contrária. A todo custo, evita-se a complexidade que, simplesmente, o viver proporciona.
No auge do número de casos e mortes por coronavírus no País, desde o início da pandemia, no ano passado, há muitos brasileiros que desconfiam da letalidade do vírus, outros, que rejeitam as poucas doses vacinas disponíveis no País, e outros, que parecem já ter se acostumado a conviver com a morte, com a dor, com o luto. Esses, foram alimentados com máximas: “Todos vão morrer um dia”, “Parece que só se morre de Covid no Brasil”, “Morreram pessoas, mas eu não”, entre outros.
A maior tragédia sanitária da história brasileira é gerada por um inimigo invisível e que, por isso, acaba sendo invisível para muitos. A morte virou um número, uma macabra estatística. A urgência, a pressa e a ilusão da volta ao normal, esconde uma espécie de negação coletiva. É preciso viver, desesperadamente, hoje, aqui e agora. Nada pode ser mais adiado.
A situação sanitária parece estar longe do controle. Enquanto isso, o conformismo ganha cada vez mais espaço. Há uma aceitação social pela morte. A morte por Covid tornou-se mais uma tragédia no Brasil, somada a da violência, a da corrupção, a desigualdade social, entre outras realidades marcantes tupiniquins. O discurso de morreu porque "deu azar" ou de que quem tem comorbidades iria "acabar morrendo mesmo”, confirma e conforta quem nega as mortes, mostrando-nos imunes a elas.
Nunca haverá “ordem”, quando mais “progresso”, num país em que paira o conformismo, a estupidez em relação a maior crise sanitária do mundo, enquanto houver “quem morreu é ‘o outro', o ‘da periferia', o que ‘tinha comorbidades', o que ‘não seguiu as normas sanitárias'. As mortes não são inevitáveis, nem essas pessoas morreriam de qualquer jeito. O Brasil não estará livre de novos ciclos de tragédia, com UTIs lotadas e falta insumos hospitalares, enquanto não houver união, planejamento e vacinas para todos.

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