28 Nov 2021


Desafios do ensino remoto

Publicado em Editorial
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A Educação é um dos setores que teve a rotina fortemente afetada pela pandemia do novo coronavírus. Desde que a Covid-19 se instalou no mundo, cerca de 1,5 bilhão de estudantes ficaram fora da escola em mais de 160 países, segundo relatório do Banco Mundial.
O Brasil, por conta do início tardio da vacinação e diante da falta de controle dos índices epidemiológicos no País, foi um dos últimos países a permitir a reabertura das escolas. Foram mais de 267 dias de escolas fechadas, segundo dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Ainda hoje, 18 estados mantêm o ensino apenas de maneira remota, enquanto os outros tentam equilibrar uma forma híbrida, entre o presencial e o ensino a distância.
Dados do Índice de Educação a Distância, criado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), apontaram deficiências na implantação do ensino remoto nos Estados, com o fechamento das escolas no Brasil, após análise das ações adotadas entre março e outubro de 2020. Segundo a análise, Estados e municípios fecharam o ano com "nota vermelha" por problemas como atraso na implementação do ensino, ineficiência nas ações, descaso com a forma como o aluno acessaria o conteúdo, o que acabou gerando aumento na desigualdade já existente na educação do país.
Mesmo com a retomada das aulas presenciais, ainda há restrições por conta do Plano SP do Governo do Estado. As aulas presenciais não são obrigatórias e as escolas podem operar somente com 35% da capacidade. Por conta disso, muitas escolas ainda permanecem com grande quantidade de alunos estudando de maneira remota, ou realizando rodízio, entre aulas online e presenciais.
Os desafios do ensino remoto são enormes. Falta de equipamentos e locais adequados para o estudo, oscilação no sinal da internet, dificuldade de concentração durante longo período frente a uma tela, etc. Além disso, manter os jovens distantes das salas de aula e dos amigos trouxe impactos para a saúde mental das crianças e adolescentes, como depressão, ansiedade, irritabilidade, agitação, alteração no sono e no apetite, dores psicossomáticas (dor de cabeça, por exemplo, de origem emocional) e dificuldade na socialização.
Como se tudo isso não bastasse para alunos, pais e professores, o ensino à distância também modificou a forma com que as avaliações e provas fossem aplicadas. Entraram os testes virtuais e, com eles, abriram espaço para a troca de informações, ou melhor, para a velha “cola”. Mensagens no WhatsApp viraram o novo “dar uma olhadinha na prova do colega” e a pesquisa no Google substituiu as colas de fórmulas e datas históricas feitas nas borrachas. Com isso, diversos colégios observaram que as notas dos alunos estavam subindo, inexplicavelmente.
Novamente, muitas escolas tiveram que adaptar e sofisticar as avaliações para dificultar as fraudes. Foram implantadas provas "anticolas" no ensino remoto, com ferramentas tecnológicas que avisam se um aluno abre novas abas e monitoram o tempo em que leva para fazer o teste. Muitas escolas também passam a exigir câmeras abertas durante as avaliações, outras, investiram em provas com questões discursivas ou avaliações por meio de trabalhos interdisciplinares, com modelos menos “copiáveis”.
Para o segundo semestre, com o avanço da vacinação nos profissionais de Educação e com o novo plano da retomada das aulas presenciais do Governo do Estado, que permitirá a ampliação da capacidade total de acolhimento das escolas e a diminuição do distanciamento mínimo entre as pessoas, que passará a ser de 1 metro, há a esperança de que, enfim, o ensino caminhe de volta à normalidade.

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