28 Nov 2021


A escolha das vacinas contra a Covid

Publicado em Editorial
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A escolha pela marca do laboratório produtor das vacinas contra a Covid-19 tem gerado muita polêmica no Brasil. Atualmente, há quatro vacinas diferentes contra a Covid-19 sendo aplicadas na população brasileira: Pfizer/BioNTech, a Coronavac (Butantan/Sinovac), AstraZeneca/Oxford e a Janssen/Johnson & Johnson.
Esses imunizantes possuem tecnologias distintas. A Coronavac (Sinovac/Butantan), a primeira liberada e aplicada no país, foi desenvolvida pela chinesa Sinovac. Trata-se de uma vacina de vírus vivo inativado. Os cientistas cultivam o Sars-CoV-2 em laboratório e depois o tratam com uma substância que torna o agente incapaz de fazer suas cópias. A tecnologia é tradicional e utilizada há décadas. O exemplo mais famoso é o da vacina contra a gripe.
A Pfizer e BioNTech (empresa oriunda da Alemanha) é uma vacina de RNA mensageiro. Ela utiliza o próprio corpo para fabricar o antígeno (a parte do vírus que é apresentada ao sistema imune pelas vacinas). A vacina de Oxford é elaborada pela farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford. O imunizante, que também é envasado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é baseado em vetores virais. Nesse tipo de vacina, um vírus enfraquecido transporta os genes virais para dentro das células, estimulando a resposta imunológica. A vacina da Johnson & Johnson, também utiliza a mesma tecnologia de vetor viral, dos imunizantes Oxford/AstraZeneca e Sputnik V.
Com quatro vacinas sendo distribuídas por meio do Programa Nacional de Imunização (PNI), muitos brasileiros passaram a querer escolher o tipo de imunizante a ser recebido no braço. Cada um com a sua justificativa, claro. Alguns alegam que precisam ser vacinados com imunizantes que são aceitos na Europa e nos Estados Unidos, pois viajam com regularidade e a Coronavac não seria aceita, até então. Outros, argumentam que têm casos de trombose na família ou temem os efeitos colaterais da vacina AstraZeneca. Há, ainda, aqueles que ficam comparando as porcentagens de eficácia dos imunizantes ou que simplesmente querem tomar a Janssen por se tratar de uma única dose.
Muitas pessoas também se sentiram no direito da escolha pelo imunizante, se inspirando em países onde isso é possível, como nos Estados Unidos. Por lá, há diversos estados, como Nova York e Flórida, onde é possível escolher qual vacina tomar, como, por exemplo, a Pfizer/BioNTech, a da Moderna e da Janssen.
Na União Europeia, há países onde a escolha pelo imunizante também é possível, como na França. Na Itália, a escolha não é feita pela população. Profissionais avaliam as condições de saúde e, só então, indicam a vacina adequada.
De fato, optar pelo imunizante que será aplicado no seu próprio braço, não deixa de ser um direito de escolha, como outro qualquer, assim como se escolhe a marca de determinado produto, preferindo o fabricante x, ante ao y.
Porém, no Brasil, a pandemia ainda não está sob controle. O país tem registrado mais de 2 mil mortes por dia por Covid-19 e já ultrapassou os 520 mil óbitos desde o início da pandemia. O índice de vacinação ainda é muito baixo. Até quinta (1) de julho, 73,4 milhões de pessoas (34,73% da população) receberam a 1ª dose da vacina, sendo apenas 25,7 milhões receberam a 2ª dose, o que equivale a 12,41% da população brasileira. Ou seja, não é momento para se escolher qual imunizante tomar. É correr contra o tempo. Garantir a imunização contra a Covid-19 é, não só salvar vidas, mas salvar o país do agravamento de uma das piores crises econômicas da história. Portanto, vacina já. A melhor vacina é a que chega ao braço.

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