17 Oct 2021


Política não se discute?

Publicado em Editorial
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O filósofo grego Aristóteles argumentava que a política é a ciência que tem por objetivo a felicidade humana e divide-se em ética (felicidade individual do homem na Cidade-Estado, ou seja, na Pólis), e na política propriamente dita (que se preocupa com a felicidade coletiva). A política situa-se no âmbito das ciências práticas, ou seja, as ciências que buscam conhecimento como meio para a ação.
“Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras, tem mais que todas, este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela se chama cidade e é a comunidade política”, dizia Aristóteles.
A palavra “política” faz menção a tudo que está vinculado ao Estado e sua administração, mas definições modernas defendem que política é meramente o exercício do poder. Seja política praticada com vistas ao que lhes parece bem ou meramente o exercício do poder, muitos políticos evitam falar sobre a própria função, sobre o ato de fazer política.
O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) repete que costuma comentar sobre eleições apenas em “ano par”, palavras endossadas por outros tucanos e, também, prefeitos do partido no ABC. Há ainda aqueles que são mais incisivos, afirmando que não “comentam sobre política”.
Pode parecer, no mínimo, irônico um político não querer comentar sobre política, ou seja, sobre sua própria função pública, sobre o ato de fazer política, mas é o que tem ocorrido.
O que os fazem fugir de comentar sobre política é o histórico brasileiro. São anos e anos da política de promessas não cumpridas, de corrupção, lavagem de dinheiro e tantos casos e escândalos que envergonham o povo brasileiro. A política perdeu a credulidade de grande parte da população brasileira, que quase já não se interessa sobre o assunto. E, isso se confirma, com os altos índices de abstenção registrados, de maneira crescente, a cada eleição.
O estereótipo do político brasileiro pouco se afastou do icônico prefeito Odorico Paraguaçu, personagem criado por Dias Gomes, para a novela “O Bem Amado”, que exercia a política na remota cidade de Sucupira, perdida num longínquo interior baiano. Odorico é síntese de todos os trejeitos da velha política dos grotões.
Contudo, desde as eleições de 2018, foi instaurada a ordem da “nova política”, que realmente chegou com políticos mais jovens, com mais energia, dizendo tudo o que a população brasileira queria ouvir, que combateriam o desperdício do dinheiro público, proclamariam o fim das regalias e combateriam a corrupção, como grandes heróis. No lugar das promessas, o compromisso e, os políticos foram “transformados” em gestores da máquina pública, verdadeiros administradores.
Mas, o jogo no tabuleiro político nunca para. Chega-se ao comando da Prefeitura, por exemplo, sonhando com a reeleição, reeleito, o político segue em passos largos para desafios maiores. Para as eleições de 2022, ainda faltam quatorze meses, mas é sabido que as tratativas, apoiadores e estratégias são desenhados com grande antecedência. Até porque, se um político tiver que deixar o atual cargo para disputar outro, há prazo para desincompatibilização. Tudo tem que estar programado e traçado. Mas, quando questionados sobre a própria política, prefeitos do ABC têm repetido o mesmo mantra: “estou focado em administrar a cidade, melhorar a vida das pessoas”, e ainda “não falo sobre política ou questões partidárias”. Alguém acredita?

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