28 Nov 2021

Publicado em Editorial
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O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) apontou que até 2040, uma década antes do que era previsto, a temperatura média do planeta Terra irá atingir a 1,5 grau acima dos níveis pré-industriais. O relatório apresenta conclusões básicas, sendo que a primeira delas é que a influência humana aqueceu contribuiu para o aquecimento do planeta, da atmosfera e dos oceanos.
O aumento de dióxido de carbono registrado na atmosfera, desde o início da industrialização mundial, em 1750, por exemplo, está diretamente ligado à atividade humana. No Brasil, segundo a ONU, entre as consequências disso, está a perda da capacidade de produção agrícola, ocasionada pelas estiagens, que atingem o Centro-Oeste, Nordeste e até a Amazônia. Já no Sudeste, os efeitos que já têm se intensificado são as chuvas fortes e enchentes.
Essas consequências ainda podem se intensificar com a degradação ambiental, desmatamento intenso que, não só a Amazônia tem sido vítima constante, mas a própria Mata Atlântica, presente no Estado de São Paulo, que, originalmente, ocupava área superior a 1,3 milhão km², hoje, foi reduzida a 465.711 km², ou seja, apenas um quarto da sua área original.
O desmatamento é um dos mais graves problemas ambientais. Além de devastar as florestas e os recursos naturais, compromete o equilíbrio do planeta, incluindo os ecossistemas e afetando gravemente a economia e a sociedade. O desmatamento, para muitos, ainda parece distante da realidade cotidiana. Mas, é preciso lembrar que o corte raso de árvores, ou seja, a supressão da vegetação arbórea é uma realidade constante, que tem aumentado, nos últimos anos.
Segundo o Ibama, o Brasil perdeu 24 árvores por segundo em 2020. E nas cidades do ABC, apesar de não haver registros oficiais sobre o tema, a realidade não é diferente. Há alguns anos, muitas árvores têm sido suprimidas, arrancadas. Ainda que haja leis que disciplinam a arborização urbana e as áreas verdes do perímetro urbano de cada município, não são nada rigorosas. A impressão que se tem, ao andar pelas ruas da região, é que as áreas verdes têm ficado para trás.
Pelo ABC, é fácil reparar que muitas árvores recebem podas irregulares, que comprometem a vitalidade, deixando de florescer, sem respeitar a época correta para a poda, que não pode coincidir com o período de reprodução dos pássaros, que fazem ninhos nos galhos, por exemplo. Outras são arrancadas para beneficiar a fachada de novos equipamentos públicos ou estabelecimentos comerciais.
Ainda que haja a famosa compensação ambiental, com plantio de mudas, diversos biólogos, já constataram que mudas não vão reequilibrar o impacto ambiental em uma cidade, causado pela supressão de uma árvore grande, adulta, com copa e galhos. Uma muda de árvore demora até 15 anos para atingir a fase adulta (muitas, plantadas há 20 anos ainda crescem).
A importância das árvores é fundamental, pois desempenham funções vitais como o controle da temperatura, aumento da umidade do ar, maior controle das chuvas, qualidade da água dos mananciais, controle de erosão, além de produzirem frutos, sementes, que servem de alimentos para pássaros e outros seres vivos.
Quem sabe, se não houvesse uma legislação mais rígida e o assunto não fosse tão deixado de lado por alguns políticos do ABC, a população não estaria vivendo um clima tão caótico, em uma mesma semana, pico de 35°C, e, no dia seguinte, 17°C? Na terça (21), é celebrado o Dia da Árvore. Ainda que não haja tantos motivos para celebrar a data, é preciso conscientizar a população, e os políticos também, da importância da preservação das poucas árvores que ainda restam nas cidades.

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