21 Jan 2022


A política e suas “nuvens”

Publicado em Editorial
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“Política é como nuvem. Você olha, ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. Esta célebre frase do ex-deputado federal, governador de Minas Gerais, presidente da UDN (União Democrática Nacional) e ministro, José de Magalhães Pinto, sempre foi a definição mais coerente para a política nacional, principalmente, em época eleitoral.
Ainda faltam cerca de onze meses para as eleições, mas as prévias do PSDB, que definirão em 21 de novembro próximo, o candidato do partido que disputará a presidência da República, já anteciparam e revelaram a luz do dia, muitas das tratativas eleitorais, que poderiam passar desapercebidas até o início da campanha eleitoral.
No ABC, os prefeitos tucanos, reeleitos com maior aprovação da população, Paulo Serra (Santo André), com 76,88% e Orlando Morando (São Bernardo), com 67,28%, sempre estiveram juntos, seja pela amizade pessoal, ou por afinidade política, principalmente em suas campanhas eleitorais em 2016 e durante o primeiro mandato. Também subiram ao palco, tiraram foto e endossaram o coro “Tá na hora, fazer São Paulo acelerar com João Doria”, quando o então prefeito de São Paulo, João Doria, foi candidato a governador de São Paulo, em 2018. Eleitos, ainda seguiram a onda da “nova política”, “austeridade fiscal” e “nova gestão” de Doria e até incorporaram o mesmo vocabulário utilizado por ele.
Mas, agora, nas prévias tucanas, estão apoiando candidatos diferentes. Morando apoia o governador de São Paulo, João Doria, e Serra está com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
Doria, Morando e Serra já figuraram inúmeras vezes juntos em eventos e inaugurações. Morando e Doria até já pintaram paredes juntos, em 2017, para promover ações do “Cidade Linda” e “Parede Limpa”. Os tucanos do ABC também seguiram o voo do “gestor Doria” e lançaram programas inspirados em seus carros-chefes, como o Fila Zero, na área da Saúde. Morando sempre se destacou no apoio e na aproximação com Doria, mas Serra não ficou muito atrás.
Paulinho, que já foi secretário de Obras do ex-prefeito Carlos Grana (PT), em outubro de 2016, posou em foto ao lado de Doria (então candidato a governador), sorrindo e fazendo sinal de acelerar, quando o acompanhou em debate na Record. Doria também foi palestrante ilustre no 1º Meeting Empresarial da gestão Serra, em 2017. No mesmo ano, o prefeito de Santo André ainda foi anfitrião de um grande evento, no Clube Primeiro de Maio, em prol da campanha de Doria para o governo de São Paulo.
Porém, o tempo passou. As nuvens mudaram. No final dos mandatos de Serra e Morando, já era comum um prefeito não prestigiar o outro em eventos e inaugurações, ou enviar o vice para representá-los. Durante a pandemia, enquanto Morando estreitou os laços com o governador de São Paulo, Serra azeitou as relações com o governador do Rio Grande do Sul. O distanciamento de Serra e Doria ficou evidente. No evento de lançamento do projeto do BRT ligando região do ABC à capital, no Palácio dos Bandeirantes, Serra não esteve presente. E, em uma entrevista, na Rede Globo, em março último, o secretário de Desenvolvimento Regional e presidente estadual do PSDB, Marco Vinholi, disse que o prefeito “joga a culpa para terceiros” (para tomar medidas) e que ele faltava com a responsabilidade com seu município. Depois dessa, não adiantou mais panos quentes ou frases de efeito para apaziguar a situação. O racha era evidente.
Hoje, o mesmo tucano que afirmou, diversas vezes, que só comentava eleição em ano par e ainda no segundo semestre, é o coordenador da campanha de Leite para as prévias no Estado de São Paulo. O mesmo tucano que já voou ao lado de Doria, o ‘abandonou’ politicamente, afirmando, no domingo (17), que o momento que o país passa, “pede alguém” como Leite. É, as nuvens andaram e ainda mudarão muito até o dia do pleito em outubro de 2022.

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