18 Aug 2022


Um puxão de orelha no Consórcio

Publicado em Editorial
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Um puxão de orelha no Consórcio

O Estadão e o professor Jaime Waisman, da Escola Politécnica da USP, por meio de editorial publicado na segunda (16), deram um puxão de orelha no Consórcio Intermunicipal do ABC que “desistiu de impor restrições ao trânsito de caminhões nos horários de pico, planejadas desde setembro e que deveriam entrar em vigor neste sábado (28)”. O motivo alegado pelo Consórcio é que isso seria prejudicial à indústria instalada na região numa fase em que a economia está em desaquecimento e que isso poderia reduzir a oferta de empregos. Diz ainda o editorialista que “não é certamente por tentar ordenar o trânsito de veículos pesados em uma área densamente povoada, como é a região metropolitana de São Paulo, com 20 milhões de habitantes, que se criam problemas para a indústria”.

Mas, o horário fixo para o tráfego de caminhões, nos horários de “rush”, pode aumentar os custos para as empresas, mas que serão reduzidos se for adotado um programa para carga e descarga das mercadorias. Por sua vez, o professor da Polítécnica disse que “caminhões rodando pela cidade o dia todo, em todos os lugares, é um fenômeno brasileiro. É algo do século passado. Atualmente, você vai às grandes cidades do mundo e não enxerga caminhão trafegando pelas ruas”. Quer dizer, nas grandes cidades do mundo, a carga e a descarga de mercadorias são feitas durante o período noturno. No ABC e na área metropolitana isso ocorre no horário do expediente das empresas, já que nenhuma delas quer receber mercadorias à noite. O editorial enfatiza que “lamentável não são só as prefeituras do ABC que demonstraram não ter plena consciência das responsabilidades que lhes cabem como parte da região metropolitana. A Fiesp e os sindicatos de trabalhadores, que apoiaram aquela decisão, não parecem se dar conta de que as restrições aos veículos pesados são apenas o início de um processo de disciplinamento ao qual as metrópoles têm forçosamente de submeter-se”.
O comentário alerta também que “o tema será debatido na Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano do Estado, que é o foro adequado, uma vez que a atitude do Consórcio está em desacordo com as decisões tomadas pela Prefeitura de São Paulo nos últimos anos para limitar o trânsito de caminhões pesados na capital. Com a proximidade da capital com cidades vizinhas, a divergência pode vir causar problemas operacionais de tráfego e revela como ainda é difícil estabelecer diretrizes comuns para as regiões metropolitanas”.
Realmente, faltou um pouco mais de pegada para o Consórcio impor restrições aos milhares de caminhões pesados que circulam diariamente por todas cidades do ABC. Como foi dito acima, os caminhões não circulam durante o dia nas principais cidades do mundo. No ABC, ainda falta muito para isso. Mas, valeu o puxão de orelha no Consórcio.

 

Última modificação em Sexta, 27 Abril 2012 08:51
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