23 Apr 2019

Publicado em GUILHERME LAZZARINI
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Para quem, atualmente, tem seus bons quarenta anos, deve se lembrar dos riscos de vida que corríamos quando crianças. Porém, cá estamos vivos para boas histórias contar.
Não só nossos berços eram feitos com tintas tóxicas, como também, a altura da grade era convidativa para dar umas escapadas vez em quando; mais tarde, quando já havíamos aprendido a andar de bicicleta, o capacete era dispensável - cotoveleiras e joelheiras também – nem mercado pra isso tinha - com aquele mertiolate eu achava que ia morrer, mas isso era o que nos salvava e, instantes depois, estávamos prontos para outras quedas. Os quarentões devem lembrar que air-bags não existiam e, cinto de segurança, tampouco era obrigatório.
A palavra ‘porcaria’ não era sinônimo de situação chata ou coisa ruim, era algo que comíamos bastante como hambúrgueres, batas fritas, chocolates, balas e afins. Gordura trans? O que é isso? Colesterol? Nem pensar! Não engordávamos com facilidade, pois estávamos sempre sentados naquelas tábuas de quatro rodinhas descendo desenfreado ladeira abaixo: nós mesmos produzíamos nossos rolimãs – e também skates, pipas, peões, jogávamos bolinha de gude, futebol de botão, brincávamos de esconde-esconde, mão-na-mula, entre outros - quantas vezes não joguei futebol na rua?
Os nascidos no fim da década de 70 e início de 80 devem se lembrar que nem o mais ultra-tecnologicamente avançado dos vídeos games atuais era melhor que o Atari. Não tínhamos celular, internet, home theater, DVD`s, web cam - nada disso existia e a convivência com as pessoas era das melhores. Televisão apenas alguns canais pegavam - o que tínhamos mesmo eram colegas e amigos os quais nos acompanhavam nas mais arriscadas atividades como subir em árvores, escalar muros, e se quiséssemos relaxar, era só alugar uma fita numa video-locadora.
E aqui estamos! Apertávamos a campainha do vizinho e fugíamos, mas os vizinhos não processavam nenhum pai. Íamos a pé para a casa dos amigos e para a escola e criávamos jogos bacanas como rodar o caderno no dedo e ficar passando um para o outro, sem deixá-lo cair. Os resultados de tanta criatividade estão aí: essa geração criou a maior empresa do mundo de busca na internet, e tem sido uma explosão de inovação e ideias. Também tínhamos fracassos e responsabilidades, claro, porém, aprendemos a lidar com tudo.
Tivemos sorte de crescer como genuínas crianças, e esse é o desafio de um pai hoje: educá-los para realmente viver de Verdade. 

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