17 Jan 2019

Publicado em GUILHERME LAZZARINI
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Augusto morava na Califórnia com a esposa, uma criança de quase quatro anos e o mais velho de 10. Saía pela manhã a fim de trabalhar em sua empresa de softwares e voltava depois de escurecer. Sua irmã mais velha morava no Rio de Janeiro, ela era chef-proprietária de um restaurante, seu único filho tinha 14 anos e ficava em casa sozinho. O irmão mais novo de Augusto, Pedro, morava na Holanda, estudava engenharia e namorava uma profissional do patins no gelo.
O pai de Augusto, Seu Mário - senhor de 74 anos - morava num apartamento grande na cidade de São Paulo. O passatempo preferido de seu Mário era pegar um táxi e sair pelas ruas sem rumo vendo a cidade passar pela janela: ele era sozinho e solitário.
O natal do ano anterior havia sido triste para Seu Mário, pois ele apenas recebeu uma ligação de Augusto desejando-lhe Feliz Natal. Sua filha - dona de restaurante - estava atarefada com as reservas de fim de ano, e apenas  havia deixado uma mensagem na secretária eletrônica. Pedro estava em tour com a namorada pela Europa que nem lembrou de ligar para o pai.
Porém, no dia 2 de dezembro do ano seguinte, todos recebem uma carta escrita pelo médico de Seu Mário: "O quadro de seu Mário vinha apresentado piora, lentamente ele perdeu os sentidos e é com muito pesar que vos comunico óbito de vosso querido pai. O corpo jaz em sua cama, dentro de seu quarto até que todos filhos e netos apareçam. Assinado Doutor F. Souza."  O arrependimento dos filhos por não ter falado muito com o pai naquele ano foi unânime em cada canto desse mundo.
Campeonato de patinação cancelado, reuniões adiadas, restaurante fechado. Tudo por luto. De modo que todos deram um jeito de ir ver o pai falecido. Cada membro da família deixou suas casas tristes e amargurados rumo a São Paulo. Augusto havia combinado com os irmãos que todos deveriam dar um jeito de chegarem à mesma hora no aeroporto a fim de reunir a família toda para que aparecessem juntos na casa do velho pai. Plano feito. No dia 24 de dezembro estavam todos reunidos no aeroporto prestes a passar o pior natal de suas vidas.
Augusto tocou a campainha, ninguém atendeu, então ele girou a maçaneta, abriu a porta e todos entraram, porém, qual não foi a surpresa quando se depararam com uma sala nunca antes tão enfeitada para o natal, a mesa posta para dez lugares, toalhas novas, suplás, pratos fundos, talheres de prata, uvas, pêssegos, panetones, vinhos, champagnes e enormes travessas de assados - tudo sobre a mesa. Um grande e enfeitadíssimo pinheiro ocupava o canto ao lado da lareira, onde presentes brotavam do chão; as janelas possuíam pisca-piscas e, enfeites e bibelôs, se encontravam espalhados pela casa. Todos entreolharam-se sem nada entender e, após dez longos segundos embasbacados, só compreenderam a situação quando aparece um senhor a passos lentos, com sorriso no rosto e brilho nos olhos de ver sua família pela primeira vez reunida.
“Perdoem-me", desculpou-se Seu Mário. "Mas qual outra maneira de reunir todos vocês?” A filhinha de Augusto, neta de seu Mário apenas conhecia o avô por foto. Foi a primeira a sair correndo, pulou em seus braços, apertou-o firme e sussurrou: “Vovô!!”

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