17 Oct 2019


Adicione vida aos anos, e não anos à vida

Publicado em GUILHERME LAZZARINI
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Gasta-se sem critérios, dorme-se tarde demais e acorde-se muito cansado. Lê-se pouco, assiste-se muita televisão e ora-se de menos. Fato é que estamos multiplicando nossos bens, porém reduzindo nossos valores, já que, raramente amamos – ao invés - odiamos frequentemente: Quantas vezes você falou ‘eu te amo’ nessa semana? Porém, quantas vezes você fez uma fofoca de alguém ou ficou nervoso ou irritado esse dias? Aprendemos a sobreviver, mas não a viver, e isso não tem a ver com dinheiro, pois fumamos demais, bebemos demais, e por vezes dirigimos com imprudência.
Fomos à lua, mas temos dificuldade de cruzar a rua e pedir desculpa para o vizinho. Conquistamos o Espaço, mas não o nosso próprio, pois todos nós conhecemos alguém que trabalha com o que não quer em troca da necessidade do dinheiro. Durante o curso da humanidade fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores: Não adianta ter um Corcovado de braços abertos saudando a nação como uma das mais belas sete maravilhas do mundo feita pelo homem; se autoridades que deveriam dar exemplo envergonham este país.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais (ainda que virtualmente), mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar, mas não a esperar, já que paciência é uma das grandes virtudes do homem e poucos a possuem enquanto característica virtuosa. Produzimos mais computadores para armazenar dados e memórias, porém nos comunicamos menos.
Come-se mais com menos qualidade, pois estamos na era do fast-food com digestão lenta. Estamos na era do homem grande de poder, porém caráter pequeno; lucros em demasia e ralações vazias. A era do divórcio com casas chiques, porém corações separados e lares despedaçados. Tempos da moral descartável, assim como as fraldas; dos cérebros ocos em que se espera alguma mágica.
Época de natal. Vitrines recheadas prontas para o consumo. Mas nossas despensas estão vazias. Essa é uma era em que computadores dominaram tudo e valores do espírito vão ficando para trás. Nunca foi tão fácil apenas ‘deletar’ com um simples botão. Passe mais tempo com as pessoas que você ama, pois elas estão aqui só de passagem. Seja grato, sim, pelo o que você tem e conquistou, mas lembre-se que o que você possui não te faz quem você é.

‘As pessoas que querem mudar o mundo, invariavelmente desistem’ – autor desconhecido

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