23 Sep 2018

Publicado em GUILHERME LAZZARINI
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Quando soubemos da notícia que eu estava grávida, meu marido se encheu de felicidade e logo torceu para que fosse um menino. Após um tempo, descobrimos que era menina, a cara dele não era das mais felizes e, por meses, eu percebi que meu marido andava meio decepcionado, já que ele queria um menino. De modo que nossa filha era tão pequena e sorridente que cabia na palma da mão.
Meu marido aos poucos ia se entregando aos encantos de um bebê tão inocente. Trocava sua fralda, dava mamadeira, levava para tomar vacinas. Ele começou a amá-la. E seu rostinho ingênuo não saía mais da cabeça dele, tudo que ele fazia era por ela. Todos os planos que objetivava ela estava inserida. Um dia, já crescida perguntou:
“Pai quando eu fizer 15 anos, qual será o meu presente de aniversário?” “Filha, você não acha que está muito cedo para saber disso ainda? Você só tem nove anos!” “Bem, mas o senhor sempre diz que o tempo passa voando, então eu gostaria de saber.” “Sim, porém, no momento certo você saberá.”.
Num domingo qualquer, quando ela já tinha 14 anos nós estávamos na missa e, ao sair, ela sentiu fortes dores no peito, ela não se sentia bem, estava enjoada. Quando entramos no carro, ela desmaiou. Da igreja fomos direto para o hospital e os médicos de plantão diagnosticaram um problema em seu coração. Nossa filha ficou no hospital por algumas semanas, pois ela padecia de uma grande enfermidade. Meu marido renunciou ao emprego para poder cuidar dela, e eu decidi que deveria ficar no trabalho, pois custos com remédios e outras coisas eram necessários. Numa manhã, na cama do hospital, quando estávamos lá, ela quis saber:
“Pai, será que vou morrer?” “Não filha! Você não vai morrer.” “Quando a gente morre, nós conseguimos ver as pessoas?” “Bem filha, ninguém voltou do céu para nos contar, mas se eu morresse, arrumaria uma maneira de me comunicar contigo.” “E como faria isso, pai?” “Bom, toda vez que você olhasse pro céu e visse a mais brilhante das estrelas a piscar, aquele seria eu a tentar lhe falar.”
Nesse mesmo dia, fomos informados pelos médicos que nossa filha precisava de um coração, pois o dela já estava muito doente e deixaria de bater em quinze dias. Meu marido teria duas semanas, portanto, a fim de achar um. Mas como? De quem? Quem doaria um coração saudável e funcionando? O que fazer? O tempo era curto, mas meu marido decidiu que, em hipótese alguma, ela morreria por essa causa. Todavia, em uma semana, acharam um doador, ela foi operada, deu tudo certo, de modo que após a operação ela precisou ficar internada mais dez dias para os médicos verificarem como o órgão reagiria num corpo estranho.
Contudo, nesse tempo, muitos amigos, familiares, vizinhos foram visitá-la no hospital, mas nossa filha sentia falta de uma pessoa que nunca aparecera. Não entendia porque o seu pai nunca a visitava. Coincidentemente no dia em que ela saiu do hospital, ela completava 15 anos, e não se cabia de tanta felicidade, já que possuía um coração novo. Eu estava apreensiva, e a primeira pergunta dela quando entrou no carro foi: -Mãe, cadê o papai? Porque ele não veio me ver nesses dias? Não respondi, porém, quando chegamos em casa, entreguei-lhe um bilhete:
-Filha, quando leres essa carta já deverás ter um coração a pulsar forte em seu peito, pois os médicos me prometeram que terias muito tempo de vida ainda. Não podes imaginar o quanto eu lamento não estar aí contigo e com sua mãe no seio da família ao vosso lado, dando apoio, proteção e carinho. Quando eu soube que tu morrerias, eu decidi te dar a resposta da pergunta que me fizera há seis anos: um presente tão bonito que humano nenhum jamais poderia à minha filha doar. Incondicionalmente te dou de presente toda minha vida. Seja Feliz! Viva! Desejo tudo de bom e do melhor para ti. Parabéns! Que muitos outros aniversários tão bons quanto este ainda sigam por seu caminho tão cheio de vida. Com amor, Pai!
Ela ficou triste, claro, porém, dentro dela havia uma paz incomparável, algo muito tranquilo em seu coração. Então, ao cair da tarde, fomos até o cemitério e ela sentou ao lado da cruz de seu pai, pegou uma pedra e desenhou dois corações. Olhou para cima e viu a primeira, a mais bela e a mais reluzente das estrelas a piscar. Ficou ali a refletir o sentido da vida. Enxugou uma lágrima e, antes de irmos embora, serena, ela deixou uma frase riscada na cruz: Te amo!

Às vezes o coração precisa de mais tempo para aceitar o que a mente já sabe”. – autor desconhecido.

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