30 Mar 2020

Publicado em José Renato Nalini
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O Brasil da desesperança mergulhou em desespero. A fragilidade das estruturas de convívio pôs-se à mostra. A impotência do Estado em superar crises é manifesta. Os interesses corporativistas se escancararam e os antagonismos mostraram suas garras afiadas. Ferindo a todos. Principalmente quem estava alheio aos fatores geradores das crises. Tentando sobreviver, na luta árdua, contínua e desproporcional, desta sociedade iníqua, que só fez multiplicar a desigualdade e a incompreensão.
Entretanto, estamos no ano 2018 da era cristã, iniciada com aquele predestinado que veio para cumprir a promessa de nova aliança com a criatura. Aquele que deixou um só mandamento resumo de todas as tábuas da lei: amai-vos uns aos outros. Amar ao próximo como a si mesmo é a “regra de ouro” de Chaïm Perelman e um dos preceitos fundamentais da vida civilizada, segundo Sigmund Freud.
Mas é tão difícil amar o semelhante! Zygmunt Bauman diz que essa regra é o que de mais antagônico pode haver com o tipo de razão que a civilização promove: a razão do interesse individual, da busca egoísta da própria felicidade. E indaga: - Seria a civilização baseada numa contradição insolúvel? Para honrar esse preceito, só se viermos a admitir a famosa advertência de Tertuliano: “acredite porque é absurdo!”.
Absurdo é o ser humano haver atingido escala inimaginável na ciência e na tecnologia e continuar a se comportar como um irracional. Insensato em relação a si mesmo, cruel no convívio com o outro, insano no contato com a natureza e aparentemente desvinculado de Deus.
A ética, verbete continuamente mencionado em todos os discursos, principalmente naquele pronunciado pelos seus mais ferrenhos adversários, é algo que não encontra hospitalidade no mundo contemporâneo. Os seres sensíveis ouvem o pernicioso silêncio do clamor ético a insistir de que algo precisa ser feito.
Todos sentem isso. Mas o mundo já não obedece às raras lideranças que pregam a compreensão, o entendimento, a harmonia e a paz. E no mundinho particular chamado Brasil, a descrença é tamanha que ninguém é capaz de encontrar a figura carismática suficientemente confiável para merecer o apoio de uma gente sofrida e desalentada.
Deus nos auxilie a encontrar quem possa responder ao resquício de esperança que ainda resiste na consciência dos otimistas teimosos, cujo número se reduz a cada momento.

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