13 Nov 2019

Publicado em José Renato Nalini
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O choro é uma reação natural a certas situações. Quando se perde uma pessoa querida é a resposta que o corpo encontra para o suporte do sofrimento.
Quando se rompe uma relação afetiva, quando se tem uma dor que não se consegue disfarçar. Enfim, é uma experiência que os humanos não podem considerar totalmente estranha.
Mas o choro é encarado de muitas formas. Quem foi que ainda não ouviu “homem não chora”? Ou que num jogo de futebol, com a perna fraturada, não ouviu de um colega “vai procurar a mamãe?”. Há mesmo preconceitos em relação a pessoas extremamente sensíveis. Na cultura popular, presume-se o biótipo de homens que não conseguem resistir às lágrimas da parceira.
O mundo moderno implica em constante pressão que as expectativas exercem sobre as pessoas. Os empregos estão sumindo. A necessidade de conservá-lo tensiona quem pretende oferecer o melhor. Esse melhor está cada vez mais ambicioso, porque a tecnologia eliminou, definitivamente, a fronteira entre vida pessoal e trabalho.
Não é incomum, portanto, que muita gente mais tenha de chorar no local de serviço. E isso é encarado de muitas formas. Há o ambiente hostil, de competitividade, de dissimulação e de maledicência. Cada colega pode ser o rival atento às fragilidades alheias e pronto para substituí-lo quando o outro fraquejar. Existe ainda o aparente solidário, que finge compreender e será o primeiro a fazer comentários sarcásticos em relação ao descontrole.
O fenômeno é universal. A escritora americana Anne Kreamer escreveu “Sempre é pessoal: lidando com emoções no escritório moderno” e conclui que a exigência de envolvimento integral do funcionário o expõe a instabilidade emocional. A conexão ininterrupta entre a vida e a função, o celular a emitir contínuos WhatsApp ou e-mails, dificulta a construção de resiliência e faz com que os limites sejam ultrapassados até por antecipação ao surgimento dos problemas.
O esgotamento por estresse no trabalho é chamado de “burnout”. Pode surgir deflagrado por uma série de fatores. Considerar-se injustiçado, continuamente criticado – o bullying laboral – reprovação de projetos que demandaram tempo e empenho, ansiedade com prazos de entrega. Cada qual tem o seu gatilho emocional e tem de aprender a trabalhar com ele.
O tema ensejaria uma série de observações, talvez comuns a todos os que continuam a ter um posto de trabalho, nesta República de catorze milhões de desempregados, vinte e cinco milhões de subempregados, sem contar aqueles que já se cansaram de procurar emprego.
Seja como for, chorar não é pecado. É bem humano. E as lágrimas são necessárias para irrigar o globo ocular, cuja secura é muito mais prejudicial do que a crise de choro.

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