02 Apr 2020

Publicado em José Renato Nalini
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Ser “amigo da sabedoria” não seduz muito a juventude contemporânea. Ela está contaminada pela revolução digital e se acostumou a uma velocidade inimiga da reflexão. Meditar é um exercício arqueológico.
São exemplares raros os que pensam. A ordem é agir.
Mas é bom lembrar que o mal-estar generalizado, essa angústia e desconforto, essa falta de perspectiva que acomete milhões, pode ter um remédio eficiente na filosofia.
Alguns autores descobriram no pensamento filosófico perene receita eficaz para situações que, talvez, não tenham sido pressentidas pelos pensadores originais. O resultado é uma profusão de livros de Filosofia, vendidos e adquiridos como de “auto ajuda” e que podem fazer sucesso entre aqueles poucos que não têm alergia à leitura.
Um desses é “O que Nietzsche faria?”, de Marcus Weeks, publicado pela Sextante. Divide o livro em cinco capítulos temáticos: relacionamentos, trabalho, estilo de vida, lazer e política. Pode ser que a familiaridade com lições clássicas, ditadas por legendas universais, anime o leitor a se aprofundar na obra das quais são extraídos pequenos textos.
Alguns tópicos são eloquentes. À indagação “existem graus de honestidade?” ou “devo ser honesto a qualquer preço?”, pode-se recorrer a Jeremy Bentham (1748-1832), para quem o importante é avaliar as consequências e se colocar no lugar de quem vai ouvir uma verdade inconveniente. Será que a pessoa vai gostar de se defrontar com ela?
Aristóteles ensina a uma pessoa ser boa. Basta imitar o seu modelo de bondade. Ações de generosidade, tolerância, justiça e coragem. Para ele, virtude é hábito, não dom. Ninguém nasce virtuoso. Mas se vier a praticar um ato de bondade por dia, mesmo sem querer se tornará bom.
Opinião contrária é a de Nicolau Maquiavel, o autor de “O Príncipe”, que legou à história o adjetivo “maquiavélico”. Para ele, o homem nunca faz o bem, a não ser que a necessidade o obrigue a tanto.
Sócrates é outro amigo que recomendou o “Conhece-te a ti mesmo” e que reconheceu o “Só sei que nada sei”. Para Sócrates, uma vida sem reflexão não vale a pena. Deve-se abdicar da diversão? Não. Buda indica o caminho do meio, o equilíbrio entre prazer e responsabilidade. Aristóteles também ensinou que a virtude está a meio caminho entre dois polos exagerados. Já o pessimista Schopenhauer diz que a pretensão humana de obter o prazer é o caminho mais curto para a decepção.
Filosofar é aprender a morrer, já se afirmou. Porém, é algo que pode ajudar a viver. Principalmente em tempos bicudos, que reclamam um protagonismo hercúleo de uma cidadania que vê a Democracia esboroar-se, a ciência caminhar a velocidades ultrassônicas e a política rastejando no Paleolítico.
A única forma de sobreviver ao caos no planeta é recorrer à filosofia. Não custa nada. Mostra que tudo passa. Só Deus não passa, como dizia Teresa D’Ávila, a grande Doutora da Igreja, mulher corajosa, lúcida e inspiradora do mais saudável feminismo, ela própria uma filósofa.

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