11 Dec 2018

Publicado em Editorial
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O governo de Cuba, nessa semana, anunciou subitamente, a retirada de 8.332 profissionais que participam do programa Mais Médicos, que foi criado às pressas, em 2013, pela então presidente Dilma Rousseff (PT), em resposta as grandes manifestações por melhores serviços públicos. Os médicos tiveram que ser importados de Cuba, posto que os profissionais brasileiros, na ocasião, não demonstraram grande interesse.
A decisão repentina foi tomada após o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) sinalizar a intenção de modificar os termos do acordo, como por exemplo, reduzir o volume de recursos repassados ao governo cubano. É estimado que, anualmente, Cuba obtenha cerca de US$ 270 milhões (R$ 1,023 bilhão) com o programa.
A saída dos cubanos só prejudica a área de saúde pública do Brasil, que é frágil, ainda não saiu da UTI, e só irá causar problemas para o próximo presidente, pois poderá levar a uma desassistência temporária de 24 milhões de brasileiros, segundo o Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).  O maior impacto ocorrerá em áreas mais remotas, como partes da Amazônia e do Nordeste, e principalmente, nas áreas indígenas, onde os cubanos atuam em cerca de 90% dos atendimentos.
Além disso, não se pode negar que a cooperação cubana tinha grande simpatia ideológica, desde o início do programa, com o governo petista, e acabou ficando balançada com a eleição de Bolsonaro. Alguns analistas afirmam que a ditadura cubana objetiva criar contratempos para o próximo presidente, o que ficou sugerido, em trecho da nota oficial do governo cubano, na qual foi afirmado que houve “golpe de Estado legislativo-judicial contra a presidente Dilma Rousseff”.   
Também é possível confirmar tal análise com o desabafo feito pelo ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, responsável pela implantação do programa, em sua conta no Twitter: “É uma data triste para a saúde pública brasileira e para a política externa do Brasil. É isso que pode acontecer quando se coloca o espírito da guerra, da ideologização, do conflito na frente dos interesses, sobretudo do povo brasileiro”.
Para Bolsonaro, os médicos cubanos estão sendo submetidos a “trabalho escravo”, pois os profissionais ficam com apenas uma parte dos salários, sendo que o restante fica retido pelo governo de Cuba. E ainda, ficam afastados da família. Além disso, o presidente eleito ainda se disse preocupado com a formação médica  dos cubanos no programa: “não há qualquer comprovação que eles sejam realmente médicos e sejam aptos a desempenhar sua função”. No Brasil, os médicos formados no exterior, sejam eles cubanos ou não, não precisam passar pelo Revalida, exame de revalidação do diploma no Brasil.
Segundo dados do Ministério da Saúde, desde sua criação o Mais Médicos atendeu 3.989 cidades, das quais 1.446 (36,25%) só receberam, médicos cubanos.  Figuram entre os cinco Estados que possuem mais médicos do programa: São Paulo, com 1.394; Bahia, 803; Rio Grande do Sul, 617; Minas Gerais, com 591 e Pará, com 511. No total, o programa oferece 18.240 vagas, sendo que 16.721 estão ocupadas e outras 1.519 vagas estão disponíveis. Os cubanos ocupam 8.322, os brasileiros, 5.056 e médicos de outros países, 3.053.
Portanto, a súbita decisão do governo cubano em retirar os profissionais do País só resulta em mais irresponsabilidade e falhas do governo brasileiro, que se submeteu a uma “ajudinha” internacional para resolver algo que sempre foi um problema do País, a saúde pública. Quem perde com isso, somos nós brasileiros, que já não temos com que mais nos envergonhar.

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