21 Mar 2019


O ABC e o despreparo para as chuvas

Publicado em Editorial
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No ABC, as chuvas ocorridas entre a noite de domingo (10) e a madrugada de segunda (11), deixaram, além de milhares lares inundados e interditados, dez vítimas fatais, sendo 6 por afogamento e 4 por deslizamentos.
A chuva, fenômeno previsível, tornou-se ameaça em praticamente todos os municípios da região. Resultado da falta de respeito ambiental e da incúria das autoridades.
A intensa urbanização do ABC, com dezenas de condomínios, com centenas de novas torres residenciais e comerciais, erguidas pelas construtoras, que viraram grandes patrocinadoras do “desenvolvimento” da região, se deu de uma forma rápida e desordenada. Como resultado desse processo, houve o aumento da ocupação de áreas de várzeas, canalização de córregos e impermeabilização do solo, causando diversas alterações no micro clima urbano, entre elas a ocorrência das ilhas de calor, anomalias térmicas e modificações na precipitação. No caso da precipitação, nas últimas décadas, tem-se intensificado a ocorrência de chuvas intensas que provocam alagamentos e enchentes.
Somado a isso, há o intenso descarte de lixo nas vias públicas, desde uma simples garrafa de água até um sofá velho, que entopem bueiros e se acumulam em locais inapropriados.
Segundo dados da Revista Brasileira de Climatologia, no ABC, o resultado da climatologia da região, entre 1968 e 1998; identificou os meses de janeiro e fevereiro como os mais chuvosos do ABC. Já num período mais atual, entre 1999 e 2014, a média das chuvas mostrou um incremento no mês de janeiro em Diadema, São Caetano, São Bernardo e Santo André, acompanhado, em contrapartida, pela redução das chuvas anuais. Os impactos das chuvas intensas foram verificados na análise da variabilidade de índices climáticos de chuva, a qual acompanhou a frequência anual dos eventos de deslizamentos e inundações, identificando os anos de 2010 e 2011 como aqueles de maiores chuvas e consequentemente com a maior ocorrência de desastres.
Os eventos de deslizamentos são mais frequentes no verão, com destaque para os municípios de Ribeirão Pires, Mauá e Santo André. Também, se identificaram tendências positivas no número de dias com chuvas, igual ou superior a 50 mm, em todos os municípios, sendo este limiar de intensidade um grande provocador de deslizamentos e inundações em áreas mais susceptíveis.
Ou seja, há décadas, já é conhecido os índices precipitação de chuvas na região, sempre acima de 50mm. Nos últimos anos, as fortes chuvas já provocaram diversos estragos, vítimas fatais e muito prejuízo para os moradores de todas as cidades. Porém, as autoridades da região, continuam a lamentar os estragos, depois do ocorrido, não agindo efetivamente na prevenção. A culpa, afinal, é do meio ambiente, pois choveu além do previsto. Contamos apenas com a sorte, para que nada grave ocorra quando “chover além do previsto”
Em novembro último, o ABC foi dilacerado pelas chuvas, houve estragos feios, em todo o ABC. Escadas rolantes de shoppings da região pareciam verdadeiras cascatas de água. Inúmeros munícipes perderam carros e os comércios, seus estoques. E os poderes públicos lamentaram e lançaram força-tarefas e medidas preventivas contra as futuras chuvas. Porém, comprovadamente, todo o pacote infalível, fracassou. No domingo (10) de março, ocorreu tudo de novo. Novo temporal, chuvas intensas e, novamente, o ABC despreparado. Novos estragos, novas mortes, velhos lamentos e novos pacotes com medidas para amenizar a tragédia. Não existe “lamento” que pague o prejuízo de nenhum munícipe. Como viver sem poder voltar pra casa? Perder um ente familiar por afogamento? Perder o carro utilizado para levar os filhos na escola ou para trabalhar? Tudo isso poderia ser evitado e não é um ‘pacote amenizador’, que irá diminuir a dor, o sofrimento e o prejuízo financeiro dos moradores do ABC.

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