17 Aug 2019


A economia que não decola

Publicado em Editorial
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Apesar da confiança, apoiada em uma crença de que as coisas se ajeitarão, ou seja, que o País e sua economia irão melhorar, os indicadores econômicos do Brasil não avançam, o que há é um grande descolocamento entre a expectativa e realidade, no qual prevalece um ambiente de grande incerteza.
Após episódios memoráveis e decepcionantes de 2018, como a greve dos caminhoneiros, o mergulho da Argentina em uma profunda recessão, que comprometeu o desempenho da nossa indústria automotiva (afinal, os argentinos eram os principais compradores dos veículos exportados pelo Brasil) e ainda a Copa do Mundo, ressurgiu, com as eleições e a vitória de Jair Bolsonaro, uma esperança generalizada, tanto na utópica ideia que a corrupção poderia ser, enfim, extirpada; no liberalismo econômico promissor de Paulo Guedes, com vibrações da imensa torcida formada por empresários brasileiros e, claro, a aprovação de reformas, e, como consequência, a retomada dos níveis nacionais de produção registrados antes da recessão.
Quatro meses se passaram e, a economia ainda evolui como uma tartaruga. A cautela e o péssimo já voltaram e a economia retornou ao ‘modo de espera’. E se for mantida essa marcha atual, o País poderá demorar quase uma década para recuperar os bons números obtidos na economia, antes da crise.
Só com a corrupção, que ainda está presente em diversas repartições públicas do País, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil perde cerca de R$ 200 bilhões com esquemas de corrupção por ano. E, de acordo o procurador federal Paulo Roberto Galvão, que faz parte da Operação Lava Jato, somente no caso da Petrobras, os desvios de recursos de forma ilegal envolvem entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões. Na edição de 2018 do Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado pela Transparência Internacional, o Brasil aparece em 105º lugar. Uma piora de 9 posições em relação ao ano anterior. O índice avalia a percepção da corrupção no setor público de 180 países. Entre os 32 países americanos, o país ficou com a 20ª posição. Em 2012, ocupava a 12ª.
O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da Fundação Getúlio Vargas avançou 8,1 pontos em abril, para 117,3 pontos, é o maior nível desde setembro de 2018 (121, 5 pontos). E, de acordo com a pesquisa, uma série de fatores contribuíram para que o Indicador de Incerteza atingisse seu maior patamar desde as eleições presidenciais de 2018. Segundo a análise, o que tem atrapalhado, no cenário interno, é a instabilidade política do Governo e a gradual, mas consistente, tendência à revisão dos indicadores da economia; no externo, a guerra comercial entre EUA e China. E, para os próximos meses, só há expectativa do indicador voltar a recuar, se o governo conseguir avançar no alinhamento com o Congresso.
Para piorar, na última semana, o Brasil deixou de ser um país confiável para o investimento estrangeiro, segundo ranking da consultoria A.T.Kearney, que lista os 25 países mais confiáveis e do qual o País saiu pela primeira vez desde que o levantamento foi desenvolvido, em 1998. Nenhum país da América do Sul apareceu no ranking.
Portanto, se ainda sobrou algum desejo de acreditar e torcer com confiança que a economia irá, enfim, decolar, ainda não dá para sentir firmeza que isso possa acontecer, e quem não sente firmeza...

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