18 Aug 2019

Publicado em Editorial
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Formado por sete cidades, o ABC é o terceiro polo econômico do país e possui uma população de quase 2,5 milhões de pessoas. É também o terceiro mercado do Brasil, superado somente pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.
As zonas urbanizadas dos municípios estão “conurbadas”, ou seja, praticamente todas ligadas entre si. Cidades que foram se desenvolvendo uma ao lado da outra, formando um conjunto, um “grande e único” município, partilhando dos mesmos problemas, como por exemplo, relacionados com a proteção dos mananciais de água.
Para o desenvolvimento da região como um todo, não se pode pensar em um único município, separadamente. Afinal, muitos problemas de Santo André, se repetem em São Bernardo ou São Caetano, por exemplo, em maior ou menor escala.
Porém, o que ocorre na região, historicamente, não só na população, mas, principalmente nos seus dirigentes do poder público é um bairrismo, um municipalismo exacerbado, com munícipes de uma cidade agredindo, se sentindo superior aos munícipes de outra, extremando opiniões que desprezam dados, simplesmente para mostrar que uma cidade deve ter mais prioridade do que outra, ou é melhor ou pior que outra, numa interminável disputa egocêntrica. E a mesma atitude se repete entre os nossos políticos.
Ironicamente, há um Consórcio Intermunicipal do ABC, que foi constituído em 1990 para atuar como órgão articulador de políticas públicas setoriais, com legitimidade para planejar e executar ações de âmbito regional. No discurso, é tudo muito bonito e utópico, porém, na prática, o que se vê é uma disputa de egos para mostrar qual gestão é melhor, qual faz mais e assim, poder criticar e por a culpa por más decisões no antecessor. O Consórcio possui até uma sede em Brasília, inaugurada em 2017, localizada próxima a Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes, com objetivo de “aproximar as sete cidades de projetos e convênios da União, facilitando a viabilização de ações em benefício da região”. Na teoria, perfeito. Mas, a realidade não é tão florida assim.
Recentemente, o órgão quase veio a ‘falir’, com o esvaziamento de quase todos os prefeitos em sua participação. A cada ano, se reduz os repasses feitos pelas prefeituras à entidade, em 2017, era 0,25%; em 2018, 0,17%, em 2019, 0,15% e assim, continuará... Atualmente, o orçamento é de R$ 19 milhões. Há ainda uma Agência de Desenvolvimento Econômico no ABC, fundada em 1998, com a missão de unir as forças de instituições públicas e privadas para promover o desenvolvimento econômico sustentável do ABC, sendo um “braço operacional” do Consórcio. Mas, encontra-se “sucateada” e corre o risco de acabar, talvez pelo “descaso” da maioria das sete Prefeituras.
Em coletivas de imprensa ou inaugurações promovidas pelas Prefeituras, é comum ver um prefeito atacando a cidade vizinha, culpando o outro por descaso na divisa do município, desprezando o que seu companheiro de Consórcio faz, ou fingindo não saber como é feito na cidade ao lado, ou seja, a poucos metros de distância. Recentemente, um assessor de um prefeito disse não saber quando é celebrado o aniversário do município vizinho. E um prefeito disse, também, publicamente, que não sabe como os outros prefeitos celebram o aniversário de seus municípios.
Só lembrando que todos eles, fazem parte do grupo de prefeitos, que constitui o Consórcio, em prol da região do ABC, enfrentando desafios e superando obstáculos juntos. Sentam na mesma mesa, tiram foto lado a lado, prospectam união dos municípios em seus discursos, mas, na prática é o famoso “pero no mucho”.

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