16 Sep 2019


Otimismo entre as ruínas

Publicado em Editorial
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Quem não se lembra dos tempos áureos e de vibração de Santos? Eram festas na Ilha Porchat, bailes de carnaval e marchinhas de rua, show de Carmem Miranda? O futebol inexplicável do Rei Pelé? Os cassinos no Gonzaga, no Monte Serrat? A cidade que já figurou entre a efervescência cultural e marcou a história da elite paulistana, atualmente, respira decadência.
Há dez anos, Santos era o 14º PIB do Brasil e o 5º de São Paulo, de acordo com o IBGE. Hoje, despencou para o 33º no País e o 13º no Estado.
As promessas de desenvolvimento, com o pré-sal, evaporaram-se junto aos recursos da Petrobras; e de grandes projetos, não saíram das prateleiras da burocracia. Santos ganharia seu próprio Puerto Madero; um enorme terminal de cruzeiros; um campus de universidade estadual e o sistema de balsas, entre o município e o Guarujá, seria substituído por um túnel, depois, por uma ponte. Bem, não é preciso dizer que nada disso ocorreu.
Atualmente, o que se sente em Santos, ao respirar a brisa marítima, é a decadência. No coração da cidade, o Centro, espaços como a Casa da Frontaria Azulejada evidência o abandono, e o prédio da Etec Dona Escolástica Rosa, foi esvaziado pelo Ministério Público do Trabalho, no ano passado, com problemas estruturais. No bairro de Valongo, onde está localizada a sede da Petrobras, empreendimentos que foram construídos nos embalos das promessas de exploração do pré-sal, encalharam.
Nem mesmo o turismo, que sempre foi a grande aposta da cidade, gera mais rendimentos expressivos. Há um Hotel Ibis, em Valongo, que, durante o ano todo, amarga uma longa e melancólica baixa temporada obtendo índices de ocupação inferiores a 40%. Outros hotéis da cidade também vivenciam a mesma situação e só são lembrados pelos viajantes, no verão.  Nem as férias de julho animam os viajantes. A ocupação de Santos não passou dos 28% no recesso escolar do meio do ano. Hotéis lotados? Alguns só ficam cheios, mas, apenas entre o Réveillon e o Carnaval.
E os turistas dos cruzeiros marítimos? Na última temporada, 600 mil embarcaram no porto de Santos, em navios. Porém, todo esse potencial acaba sendo mal aproveitado, pois, no ano passado, só 45.500 pessoas foram ao Museu do Pelé. Já no Museu do Café, que foi restaurado recentemente, apenas 374 mil visitantes fizeram check-in em 2018, sendo a maioria excursões de escolas.
O porto de Santos também virou um grande problema, apesar de ser o principal complexo do tipo na América Latina e responsável pela movimentação de 28% da balança comercial brasileira, figura entre os principais escoadouros de drogas no mundo, com recordes em apreensão de cocaína. Até julho deste ano, por exemplo, 14 toneladas de entorpecentes foram apreendidas em contêineres vistoriados. Em 2018, 23 toneladas foram interceptadas, mais do que o dobro de 2017. Outro impasse são os históricos escândalos de corrupção, propina e favorecimento. Só em agosto, 19 pessoas foram presas, acusadas de desviar R$ 100 milhões em licitações e contratos da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Até o ex-presidente Michael Temer foi denunciado em inquérito que apura se houve favorecimento de empresas do setor portuário em decreto editado por ele, em 2017.
Apesar de tantos problemas, a cidade ainda sonha em recuperar seu prestígio e retomar o desenvolvimento. Nos próximos anos, é es-perado um aumento de 10% no número de lançamentos. E um hospital da rede Prevent Senior, com 17 mil m² deverá ser lançado na Vila Belmiro. Também surgiu o ‘Baixada Viva’, movimento suprapartidário que reú-ne sindicatos, empresários, sociedade civil e dezenove universidades para produzirem diagnósticos sobre a economia local e ainda, ganhou mais força o Lide, com mais de 60 executivos da região que se reuniram para melhorar a relação entre empreendedores e as esferas públicas. Agora, é torcer para que Santos volte a fazer gols na economia nacional.

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