18 Oct 2019

Publicado em Editorial
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O presidente Jair Bolsonaro (PSL) já afirmou que não lê jornais para não começar o dia envenenado, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que os evitava para não ter azia. A hostilidade à imprensa inclui desde apelidos pouco agradáveis aos meios de comunicação às tentativas concretas de controle sobre a mídia.
Recentemente Bolsonaro anunciou o fim da obrigatoriedade da publicação de balanços por empresas na mídia impressa, a medida ainda precisa ser aprovada pelo Congresso, decisão que apesar do apelo ambiental e econômico, pode ser interpretada como um ato de retaliação contra coberturas jornalísticas que deixaram o presidente bem insatisfeito. Porém, na época do governo Lula, a mídia também passou por apuros. O ex-presidente ensaiou a criação de um Conselho Federal de Jornalismo, cujo projeto chegou a ser enviado ao Congresso em 2004, mas, a iniciativa foi derrubada pelos deputados, após série de críticas.
É possível afirmar que tanto Bolsonaro, quanto Lula, não têm tolerância a crítica elaborada pela mídia e mobilizam suas bases eleitorais utilizando uma forma de “meio direto”. No caso de Bolsonaro, as redes sociais e, de Lula, o “palaque”, com discursos quase que diário, a maioria de improviso.
Os jornalistas precisam analisar o governo com seriedade, e ainda ouvir a opinião pública da sociedade em geral. As críticas jornalísticas aos governantes, mesmo injustas, muitas vezes, fazem parte do jogo. Governo e imprensa não podem nem devem ter uma relação promíscua. É natural uma tensão entre as instituições. Não se deve incentivar o “nós contra eles”, sob nenhum aspecto. Só o País perde com isso.
Também é preciso honrar os princípios sacros de todo jornalista: ética, imparcialidade e independência. Fazer jornalismo de qualidade não é militar de acordo com suas preferências pessoais sobre a política ou sobre seus governantes.
Uma análise não ingênua do cotidiano sugere afirmar que a política é um show de encenação, um verdadeiro espetáculo marqueteiro e cabe aos jornalistas não ficarem reféns desses atores, no teatro do poder. Fazer jornalismo de qualidade é cobrir os fatos, com clareza, profundidade e imparcialidade.
A imprensa séria e independente é essencial para um País democrático. É preciso coragem e humildade para rever atitudes e enxergar novos contextos. A agressividade como forma de comunicação, seja por parte da imprensa, ou dos governan-tes, não pode dar certo. Provoca antipatia e transferem para as mãos do que se apresentam como “vítimas” da comunicação, uma verdadeira ‘metralhadora giratória’, pois, no mundo atual, a força emocional das percepções sensoriais importam mais que a objetividade dos fatos. E, quem é o mocinho, pode se tornar o vilão, de maneira rápida e desproporcional.
Portanto, aos jornalistas, é preciso depor as armas da militância e fazer o verdadeiro jornalismo e aos governantes, descer do palanque e assumir a posição de presidente, governador ou parlamentar de todos os brasileiros. O diálogo, ponderado e imparcial, de ambas as partes, ainda é o melhor caminho para o País.

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