13 Nov 2019


O Brasil e as eleições argentinas

Publicado em Editorial
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Argentinos irão às urnas, neste domingo (27). Votarão para presidente e vice, 130 deputados, 24 senadores e governadores de várias províncias. A definição eleitoral, no entanto, seguirá de 31 dias úteis de transição, até o dia 10 de dezembro, quando acontecerá a posse do presidente eleito.
O presidente Mauricio Macri, candidato à reeleição, enfrentará nas urnas uma chapa que terá como candidato Alberto Fernándeze a vice, a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015). É muito provável que Fernández e Cristina ganhem as eleições.
Recentemente, uma compilação de projeções de sete institutos de pesquisa, publicada pelo jornal Clarín, mostrou que a vantagem da chapa peronista é inegável e irreversível. A maior diferença para com a postulação de Mauricio Macri é de cerca de 22 pontos e a menor de 16. Já pesquisa realizada pelo instituto D’Alessio IROL apontou que 90% da população acredita na eleição de Fernández.
A crise que assola o país enterrou as chances de Macri ser reeleito, segundo analistas. O presidente, em agosto, já havia tido sinais de que as chances de uma vitória em outubro eram baixas. Nas eleições primárias, a chapa de oposição, formada por Fernández e Cristina, o derrotou por 15 pontos porcentuais de diferença. Foi um recado da população argentina de descontentamento com a economia do país, que está em seu segundo ano consecutivo de recessão e enfrenta uma inflação acumulada nos últimos 12 meses de 54%. No dia seguinte após a derrota de Macri, o Merval, um dos principais índices da Bolsa de Comércio de Buenos Aires, operou em forte queda de 34,14% e as ações argentinas estavam entre as piores perdas no Nasdaq. O peso argentino chegou a cair 30,4% frente ao dólar, com a moeda americana negociada a 59 pesos. Foi a maior desvalorização desde o fim do controle cambial no país, em dezembro de 2015, e a segunda maior desde 2002.
Porém, a instabilidade econômica não é de agora. Macri assumiu o país num verdadeiro caos econômico. De acordo com dados do FMI, em 2014, ano anterior à eleição, o PIB caiu 2,5% e a inflação atingiu 23,9%. Além disso, 7,25% da população economicamente ativa estava desempregada. Os motivos que levaram a Argentina à crise são conhecidos: anos de populismo na era Kirchner, marcados pela expansão do gasto público e pela tolerância com a inflação. Macri, portanto, assumia o país com o desafio de implementar medidas liberais, a fim de reduzir o gasto público e conter a inflação, para trazer de volta a confiança dos investidores e empresários. O resultado foi catastrófico. A falta de pulso firme apenas estendeu a crise herdada pela sua antecessora. A Argentina acumula 21 meses consecutivos de queda no consumo. A pobreza atinge quase 40% da população, 16 milhões de pessoas são pobres no país que é um dos grandes celeiros do mundo.
O presidente Jair Bolsonaro (PSL), chegou a declarar apoio à Macri. Durante sua primeira visita à Argentina, em junho último, disse, ao lado de Macri na Casa Rosada: “Acho que toda a América do Sul está preocupada em que não criemos novas Venezuelas na região”. Na ocasião, Bolsonaro também chamou Macri de "irmão" e disse que compartilham "praticamente os mesmos ideais". De fato, a América do Sul está preocupada com as eleições argentinas e o Brasil, mais ainda. No mercado financeiro, o real pode se desvalorizar e a Bolsa cair, pois muitos investidores internacionais apostam em um conjunto de países, como América Latina. Assim, a fuga de investimentos da Argentina pode acabar se tornando uma fuga de capital de países da América Latina. As exportações brasileiras também devem diminuir principalmente a de produtos industriais, como veículos. Atualmente, 20% das exportações brasileiras do setor industrial vão para a Argentina. Portanto, quem pensa que as eleições argentinas não influenciam o Brasil está completamente enganado e o principal setor que poderá ser afetado é a nossa já tão frágil economia.

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