02 Apr 2020

Publicado em Editorial
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Chegou a festa brasileira mais popular do mundo, as pessoas se preparam para cair na folia. Para muitos, o Carnaval aliado ao verão, alegria, músicas e bebidas, compõe a melhor época do ano. A festa ainda alimenta a economia brasileira que, segundo estimativa da Confederação Nacional do Turismo (CNC), deve movimentar cerca de R$ 8 bilhões no País. O Rio de Janeiro é o Estado com maior geração de recursos advindos do carnaval, com R$ 2,32 bilhões, seguido por São Paulo, com R$ 1,95 bilhão, e Bahia, com R$ 1,13 bilhão.
Em São Paulo, folia ficará por conta dos tradicionais desfiles no Sambódromo do Anhembi e milhares dos blocos de rua, que caíram, definitivamente, nas graças da população. O carnaval de rua de São Paulo terá número recorde de blocos desfilando em 2020: serão 644 blocos em 678 desfiles, segundo a Prefeitura de São Paulo. No ABC, o cenário não é diferente, diversos bloquinhos tomaram as ruas.
É época de encontrar foliões fantasiados se deslocando pelas ruas da cidade. Moças, que se vestem de maneira idêntica, quase que como um uniforme, com bodys coloridos e saias de tule; homens, que se fantasiam de mulheres ou de algum super-herói. Até aí, tudo bem. Porém, o que cantar em tempos do politicamente correto e da defesa das minorias? As tradicionais marchinhas carnavalescas, atualmente, estão quase que proibidas. Como ecoar, em alto e bom som: “Olha a cabeleira do Zezé/ Será que ele é?/ Será que ele é?...” ou “O teu cabelo não nega mulata, mulata / Porque és mulata na cor/ Mas como a cor não pega, mulata / Mulata eu quero o teu amor.” Então, muda-se para canções mais inclusivas, da queridinha do momento, Anitta, ou até de Daniela Mercury e Caetano Veloso, com versos escandalosos como: “Abra a porta desse armário. Que não tem censura pra me segurar”.
O Carnaval da atualidade com seus consagrados excessos, seja pela bebida, uso de entorpecentes, sexualidade exacerbada, virou um verdadeiro protesto. O objetivo não é aproveitar a festa é chocar a todos, seja pela roupa, comportamento, etc, ou a falta deles. Tanto que no Carnaval passado o episódio ‘golden shower’, que viralizou nas redes sociais, envergonhou muitos. Igualmente chocante, neste ano, no pré-carnaval, foliões foram baleados em plena Av. Berrini, em São Paulo. As festas da folia dos dias atuais em nada se assemelham aos gloriosos e luxuosos carnavais de décadas atrás.
Os primeiros Carnavais em São Paulo datam o começo do século XX. Em 1912, a festa da folia passou a ocupar as principais vias da cidade. Neste ano, também, foi a primeira vez que as mulheres puderam participar da festa, antes um direito exclusivo dos homens. As famílias da high society desfilavam em carros enfeitados. Já o primeiro bloco carnavalesco paulistano nasceu na Barra Funda, em 1914, em uma iniciativa do marceneiro Dionísio Barbosa, que viveu três anos no Rio de Janeiro e conheceu a folia popular. De volta, reuniu a família, os vizinhos e os amigos que, trajando camisa verde e calça branca, ocuparam as ruas da região. Isso, sem mencionar os inúmeros bailes de Carnaval, onde os participantes exibiam trajes luxuosos e desfilavam com tradicionais máscaras venezianas.
Tudo pode ser mudado, inclusive o tema que ilustra o brilho dos confetes coloridos, da serpentina, da lantejoula ou do paetê. Porém, o som que prevalece não é só o das músicas, infelizmente, há muito ruído poluindo os tamborins que tocam a alegria e conduzem a folia.

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