08 Jul 2020

Publicado em Editorial
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No Brasil, segundo dados do último Censo Escolar da Educação Básica, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2018, foram registradas 48,5 milhões de matrículas nas 181,9 mil escolas de educação básica brasileiras. A maior parte dos estudantes está na rede pública, cerca de 39,5 milhões, 81,44% do total.
Desde o início da pandemia do novo coronavírus, mais de 100 países fecharam suas escolas para tentar conter a propagação do coronavírus. De acordo com a Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), cerca de 800 milhões de crianças e adolescentes foram afetadas pelo isolamento. Isso significa a metade dos estudantes do mundo.
Com o avanço dos casos do novo coronavírus, foi adotada a modalidade ensino online, à distância, posto que as escolas foram fechadas e as aulas físicas foram suspensas. Segundo estimativas da Unicef, 35 milhões de jovens no País estão fora das salas de aula em razão da Covid-19.
As escolas foram “reconstruídas” para manter a motivação das crianças, pois as tradicionais 8 horas de ensino diários tiveram que ser adaptadas, afinal, qual criança consegue ficar em frente à tela de um computador ou tablet, por 8 horas, todos os dias? Educadores, professores, usaram e abusaram da criatividade para passar conteúdos pela tela de maneira atrativa e ainda tentar seguir os cronogramas de ensino. O resultado disto tudo é incerto. Ninguém sabe quais serão os reais prejuízos para essa geração de alunos brasileiros que tiveram o ensino presencial suspenso por mais de 90 dias.
Isso, sem mencionar as crianças que não tiveram como acompanhar as aulas online, pois de acordo com dados da pesquisa TIC Kids Online do Cetic.br/NIC.br, divulgados pela Unicef, 4,8 milhões de estudantes vivem em famílias que não têm acesso à internet. Para esses jovens, que representam quase 14% do total dos estudantes, a pandemia significou a interrupção completa dos estudos.
Além disso, com a retomada de alguns setores da economia, muitas mães já retornaram ao trabalho e enfrentam o problema conciliar trabalho com atenção às crianças e coordenar as aulas online dos seus filhos.
No Estado de São Paulo, onde há, só na rede pública há mais de 13 milhões de alunos, englobando desde creches às unidades municipais, estaduais, profissionalizantes e universidades públicas, o governador João Doria anunciou, na quarta (24), que o retorno às aulas presenciais de todo o ensino público está previsto para o dia 8 de setembro. A retomada das aulas presenciais será faseada, seguindo normas do Plano SP, protocolos sanitários, e inspirada em experiências bem sucedidas de países como Dinamarca, França e Holanda.
Porém, se antes da pandemia, 1,7 milhão de crianças e adolescentes estavam fora das escolas, segundo dados do Suplemento de Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Após, as projeções são ainda mais desanimadoras. Grande parcela dos estudantes não voltará ao ensino, não só pelo aumento da dificuldade em acompanhar as aulas ou pela perda do estímulo, mas, principalmente, pela perda de renda das famílias e aumento do desemprego. Muitas crianças correm o risco de irem para o trabalho infantil

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