30 Oct 2020


As eleições das redes sociais

Publicado em Editorial
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Com a pandemia do novo coronavírus, em pleno ano de eleições, e a proximidade do primeiro turno, há pouco mais de dois meses (15 de novembro), os pré-candidatos, à prefeito e à vereador, já deram a largada na corrida eleitoral.
Na segunda (31) de agosto foi a data que marcou início das convenções partidárias, de acordo com as novas determinações do calendário eleitoral proposto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os partidos têm até o dia 16 setembro, não só para realizar as convenções, mas para definir a composição das coligações.
As candidaturas deverão ser registradas até 26 de setembro, prazo também para que a Justiça Eleitoral convoque partidos e representação das emissoras de rádio e TV para elaborarem plano de mídia. Após sábado (26), será o início da propaganda eleitoral, também na internet.
Porém, a campanha já se iniciou. Pelo menos na internet. Chovem vídeos, lives e posts com conteúdo político e de autopromoção nos perfis e páginas dos pré-candidatos à prefeito e vereador. Neste ano, por conta da pandemia, a campanha será realizada, majoritariamente, online, pela internet. É inevitável que, com isso, haja grande fluxo na divulgação de conteúdos sem grande profundidade, como mera propaganda, totalmente unilateral.
As redes sociais e grupos de WhatsApp serão tomados por verdadeiras peças publicitárias de ‘produtos’, como mercadoria e, funcionarão com o lojas virtuais de candidatos. Haverá de tudo, para todos os gostos. Os marketeiros já têm caprichado no visual: pré-candidatos com roupas adequadas para passar a imagem de ‘trabalhador’, trilha sonora de vitória, remetendo as escolhidas pelos desenhos de super-heróis e muitos, mas, muitos comentários positivos e likes em cada post. Críticas e comentários negativos deverão ser banidos, deletados, ignorados, mas caso haja insistência, será apelado a máxima do “nós contra eles”,  ou seja, dos adversários, ou melhor, inimigos.
A praticidade da campanha virtual não camihha ao lado da qualidade, da profundidade em debate de propostas e soluções a médio e a longo prazo para as cidades. Nas redes sociais, todos estão com pressa, há muito o que se ver. Dificilmente, se perde mais do que um ou dois minutos em apenas um único perfil ou leitura de post, ainda mais sobre política.
Nas redes sociais, o eleitor, apenas, conhecerá as qualidades do “produto”, ou seja, do pré-candidato, sem tomar conhecimento, de fato, sobre aspectos negativos ou que possam comprometer o que está sendo proposto e prometido. Praticamente, não haverá diálogo, debate com os adversários. Isso contribuirá para uma campanha fraca de conteúdo, na qual irá pairar o imediatismo, com verdadeiros exércitos de fakes news.
“Qualquer um pode crer na verdade, enquanto acreditar no absurdo é uma real demonstração de lealdade – e que possui um uniforme, e um exército”, afirmou o cientista político e jornalista franco-italiano Giuliano Da Empoli, em recente livro. Os eleitores, por meio das redes sociais, deverão escolher acreditar no que desejam e, não necessariamente, no que é verdadeiro do ponto de vista factual. A rede social induz ao pensamento de pouca ou nenhuma importância para o que é, de fato, real. O que é fake alcança o status de “verdade alternativa”, de um olhar “possível”, todas as vezes que há questões que a realidade escancara o que não lhes convém. E com isso, mais uma vez, o único prejudicado será o próprio brasileiro.

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