29 Oct 2020


Os contrastes econômicos da Covid-19

Publicado em Editorial
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A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus tem levado as famílias brasileiras a fazerem mais depósitos do que saques na caderneta de poupança. Dados do Banco Central (BC), de setembro, mostram que os depósitos líquidos somaram R$ 13,2 bilhões. Este é o maior valor de depósitos líquidos para um mês de setembro, em valores nominais, em toda a série histórica do BC, iniciada em 1995. Setembro ainda foi o sétimo mês consecutivo em que houve registro de depósitos líquidos.
Os depósitos brutos, em setembro, foram de R$ 294 bilhões, enquanto os saques alcançaram os R$ 280,7 bilhões, então, a captação líquida foi de R$ 13,2 bilhões. Com isso, o saldo da caderneta de poupança atingiu R$ 1,002 trilhão. É a primeira vez na história que o saldo da poupança supera, em valores nominais esse valor.
Há uma justificativa para essa corrida à caderneta de poupança, as famílias ainda não se sentem seguras em relação à crise e, ainda, pelo reforço econômico proporcionado pelo auxílio emergencial. Os depósitos começaram a ser feitos em 9 de abril e parte deles segue na poupança.
O BC já alertou, por meio de documentos oficiais, que existe o risco de que as famílias, com medo do desemprego e da redução de renda, aumentem depósitos em aplicações como a caderneta de poupança, para formar uma reserva, em caso de emergências. Porém, isso é visto com ressalvas, posto que mais dinheiro na poupança significa menos consumo e ainda mais dificuldades para muitas empresas brasileiras.
O que chama atenção é o desespero das famílias, por optarem pela poupança já que, nos últimos meses, sua rentabilidade está cada vez menor. Na prática, com a taxa referencial (TR), que está em zero e mais 70% da Selic, que está 2,00% ao ano, a remuneração atual da poupança fica em 1,4%.
Por outro lado, na contramão do cenário econômico nacional e mundial, o mercado de luxo vem registrando crescimento considerável dos negócios. Segundo uma pesquisa da consultoria Bain & Company, apesar da previsão de queda do mercado global de luxo em mais de 20% em 2020, alguns itens do setor seguem em crescimento. As vendas online de produtos como bolsas, joias, vinhos e sapatos estão em alta, e podem representar 30% do mercado até 2025.
O presidente do Grupo Iguatemi, Carlos Jereissati Filho, que administra 17 shoppings, que estão entre os mais luxuosos do País, revelou, em recente entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, que a recuperação dos estabelecimentos surpreendeu positivamente. A média de vendas no último mês registra 80% na comparação com o faturamento de setembro de 2019. O empresário revelou que quando os shoppings retornaram ao trabalho, registraram 40% do montante de vendas anterior à pandemia e quando passaram para 6 horas, obtiveram 60% e, atualmente, com 8 horas, estão com mais de 80% do volume de vendas antes da Covid-19. Outra revelação foi o expressivo bom desempenho das marcas de luxo nos shoppings do grupo. “As pessoas não estão viajando para fora. Portanto, temos muitas marcas, principalmente as estrangeiras, apresentando crescimento real, de 120%”, afirmou.
Não há surpresas, porém, tudo que foi dito no começo da pandemia, por diversos especialistas que a pandemia da Covid-19 iria fazer com que as pessoas repensassem seus hábitos, comportamentos, etc, na prática não está acontecendo. O Brasil segue como um País desigual e segundo o último relatório divulgado pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), de 2019, é o sétimo país mais desigual do mundo e, pelo visto, isso não será revertido tão cedo.

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