03 Dec 2020


Vitória do continuísmo?

Publicado em Editorial
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O cenário eleitoral no ABC não está tão indefinido assim. Algumas pesquisas de intenção de voto e formadores de opinião sugerem que os atuais prefeitos não encontrarão grandes obstáculos para se reelegerem. As equipes de campanha dos prefeitos também estão otimistas, acreditam que o pleito será definido já no dia 15 de novembro, em único turno.
A pandemia, que prometia ser a pedra no sapato dos prefeitos, acabou se tornando a cereja do bolo, para fechar o quarto e último ano de mandato de maneira ‘heroica’. Durante bons meses deste ano, grande parte da população do ABC ficou em casa. Sem sair, sem ter contato social e vivendo numa época na qual as fakes news imperam na internet e nas redes sociais, os prefeitos acabaram sendo, praticamente, a única fonte de informação com dados oficiais sobre o novo coronavírus. Tanto que as lives, realizadas pelos prefeitos, seja de Santo André, São Bernardo ou São Caetano, em suas páginas pessoais nas redes sociais, bateram recordes de audiência. Os prefeitos também bateram recorde de seguidores e interação online com os munícipes.
Neste cenário, ações protocolares como a instalação de Hospitais Campanhas, realização de testes rápidos ou medidas de distanciamento social, realizadas em todo o Brasil, foram divulgadas como verdadeiras armas municipais para vencer o inimigo, a Covid-19. Vale lembrar que os hospitais de campanha, apesar da responsabilidade ser dos Estados e municípios, seguem regras e determinações do Ministério da Saúde do governo federal, assim como muitas das outras medidas adotadas. O ABC já gastou mais de R$ 375 milhões no enfrentamento à Covid-19. O valor equivale a 5,3% do total de receitas (R$ 7,06 bilhões), obtido pelas sete prefeituras, nos oito primeiros meses deste ano. Os dados são do Painel Covid-19, elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Expressiva parte deste total é proveniente dos governos federal e estadual.
Além disso, levando em conta o processo eleitoral de 2016, que culminou na vitória dos prefeitos de Santo André, Paulo Serra, e Orlando Morando, São Bernardo, foi a verdadeira onda azul que tomara conta, não só do ABC, mas de todo o Brasil, contra o PT, que os beneficiou. Naquele momento o voto tivera o papel de uma arma antipetista. E, se no primeiro ano, os prefeitos enfrentaram dificuldades financeiras com dívidas deixadas por administrações anteriores, atrasos nos pagamentos de fornecedores, os anos seguintes foram de realizações e entregas. E haja entrega de obras inacabadas em São Bernardo, ainda que muitas delas não tenham sido elaboradas pela atual gestão, quem colheu os louros da vitória, da entrega, durante os seguintes três anos, foi o prefeito Orlando Morando. Em Santo André, Paulo Serra reprogramou a cidade, inserindo a força da sua própria jovialidade no desenvolvimento econômico, tirando-a do ostracismo que se encontrava há alguns bons anos. Santo André ganhou vida, movimento, com uma composição de governo que reuniu andreenses de carteirinha. Já em São Caetano, foi a voz da experiência quem falou mais alto. Auricchio depois de dois mandatos seguidos voltou à Prefeitura. E demonstrou força fora do perímetro municipal, elegendo, até mesmo, seu filho Thiago Auricchio, para deputado estadual. É difícil imaginar que outro político da cidade conheça São Caetano tão bem, todos seus problemas e qualidades quanto Auricchio, por todo seu protagonismo na história da cidade.
Nestas eleições de 2020, o antipetismo perdeu força. O continuísmo tem grande chance de ser o vitorioso nas urnas. Mas, o que os munícipes podem esperar além da continuação de projetos exitosos? Deixar tudo como está, se pautando na máxima de que “em time que está ganhando não se mexe”, pode funcionar. Mas, isso tem prazo de validade definido: os próximos quatro anos. Depois deste prazo, se os atuais jovens prefeitos quiserem alçar voos mais altos, fora dos perímetros municipais, será preciso tirar mais do que um coelho da cartola e não se acomodar com os elogios viciados dos bajuladores de plantão.

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