17 Jul 2019


ABC irá demorar mais de três anos para recuperar perdas econômicas

Publicado em Negócios
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A dificuldade da economia em reagir impacta diretamente no ABC, onde a indústria, sobretudo, pesa em torno de 24% no PIB da região, o dobro da taxa nacional. Por isso, a última revisão do Produto Interno Bruto brasileiro de pouco mais de 2% para menos de 0,9% em 2019, feita em junho pelo Banco Central, não colabora com as expectativas para a economia regional.

 “Mesmo os impactos do recém-anunciado acordo comercial entre Mercosul e União Europeia devem ser avaliados com cautela em relação ao ABC, tendo em vista a região ter se tornado forte importadora de insumos industrializados nas últimas décadas, o que reflete negativamente em diversos setores industriais locais”, adverte o economista Sandro Maskio, professor da Universidade Metodista de São Paulo. Ele acrescente que, com o ritmo lento da retomada econômica brasileira, o ABC vai demorar mais do que três anos para recuperar a dinâmica de geração de riqueza perdida. 

 Os dados constam do 19º Boletim EconomiABC elaborado pelo Observatório Econômico da Metodista, que avalia números mais recentes da região. Em 2017 e 2018 o crescimento econômico local foi, respectivamente, de 2% e apenas 0,2%, depois de o triênio entre 2014 e 2016 já ter acusado retração de cerca de 27% na geração local de riquezas. O desemprego em maio de 2019 foi de 14,6% da PEA, dois pontos percentuais abaixo do mesmo mês de 2018, porém distante dos menores níveis históricos de 8% da PEA na região.

 Professor Maskio desconfia da maior facilidade de acesso a produtos industrializados da União Europeia -  que embutem maior grau de desenvolvimento e competitividade - ser capaz de induzir o desenvolvimento produtivo e a ampliação da competitividade da produção nacional, em especial no setor industrial. Este foi o argumento da abertura econômica da década de 1990 e nem por isso a indústria brasileira tornou-se importante referência competitiva no cenário internacional.

 “As alterações tributárias do governo Collor não provocaram significativo desenvolvimento produtivo, capaz de promover intensa incorporação de conhecimento e tecnologia”, justifica o economista, estendendo ao ABC a preocupação sobre se o acordo Mercosul-EU trará efetivamente desenvolvimento tecnológico à indústria local ou um setor de serviços avançados.

 O prosseguimento do cenário de dificuldades avaliado pelo Observatório Econômico leva em conta recentes anúncios do IBGE, que apurou expansão de apenas 0,5% do PIB brasileiro no primeiro trimestre deste ano, comparativamente a igual período do ano passado. No cenário internacional, o Banco Mundial reduziu a projeção de crescimento econômico mundial para 2,6% devido a investimentos mais moderados do que o esperado no início do ano e a guerra comercial entre EUA e China.

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