13 Aug 2020


55% das PMEs tiveram queda de mais de 75% nas vendas com pandemia

Publicado em Negócios
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Ao acompanhar os desdobramentos das crises política e econômica causadas pela pandemia de coronavírus, a FecomercioSP produziu um levantamento com 400 empresários de comércio e de serviços da cidade de São Paulo, entre abril e maio deste ano, para entender como estão os setores atualmente e qual a expectativa de recuperação.

Os empreendedores responderam questões sobre os impactos gerais da epidemia em seus negócios, problemas financeiros, trabalhistas e perspectivas diante desse cenário de incertezas econômicas. Dentre os entrevistados, 95% são pequenos empresários, que empregam até 20 funcionários, e a maioria atua no comércio varejista; 55% classificaram a crise como grave e 22% como muito grave.

Sobre os impactos gerais no comércio, 55% informaram que tiveram queda de mais de 75% nas vendas; 19% observaram queda de 75% a 51%; e 10% dos entrevistados registraram perdas de 26% a 50%. Durante o período de quarentena, quando só os estabelecimentos essenciais como farmácias e supermercados puderam abrir, 85% precisaram permanecer fechados e 76% deixaram de receber mercadorias de fornecedores.

Grande parte dos comerciantes seguiram recomendações da Federação e tentaram remanejar suas demandas, 54% renegociaram prazos e pagamentos com fornecedores; 47% revisaram os custos da empresa; e 40% intensificaram as vendas a distância e realizaram promoções, como medidas para minimizar os prejuízos. Ao revisar os custos, 30% foram em busca de crédito no mercado; 37% não aderiram a nenhuma linha ainda, mas pretendem contratar; e para 34%, o crédito não está entre os objetivos no momento.

Nesse último caso, a FecomercioSP entende que para manter o fluxo de caixa e as contas em dia, é melhor optar por empréstimo bem planejado, com juros baixos, do que ver as dívidas multiplicadas. As Medidas Provisórias 975 e 977 vão contribuir na irrigação de recursos ao sistema financeiro, com o governo participando com um porcentual de garantia para que o crédito chegue, principalmente aos micros e aos pequenos empresários, que não conseguem atender a todas as exigências para o empréstimo.

Contas em dia, emprego e renda

O levantamento mostra, ainda, que 65% dos empreendedores acreditam que vão precisar atrasar contas (água, luz) nos próximos meses, enquanto 48% vão deixar de pagar fornecedores no prazo. Além disso, 32% vão atrasar financiamentos e 30% não conseguirão honrar os salários dos empegados.

Ainda sobre a manutenção de emprego e renda, as repostas foram equilibradas, 51% pretendem fazer desligamentos para manter suas contas em dia e 49% devem manter o quadro de funcionários, nesse primeiro momento. Contudo, dentre as medidas estratégicas adotadas pelas empresas, apenas 18% declaram ter utilizado antecipação de férias e aplicação de jornada diferenciada, o que mostra que ainda é uma opção para muitas delas.

A Federação recomenda que as empresas tentem reter os empregados por meio dos recursos disponíveis na MP 927, que flexibiliza o prazo de aviso de férias para 48 horas, permite antecipar feriados e adiar o recolhimento do fundo de garantia, além de suspender exigências administrativas em segurança e saúde do trabalho, entre outros; ou da MP 936, que foi prorrogada, permitindo a suspensão de contratos trabalhistas, redução de jornada, acompanhada de redução salarial, como principais pontos de interesse para os pequenos e médios que precisam de fôlego para se manterem funcionando.

Alternativas à crise

Já durante o período de restrições às aberturas, 46% utilizaram as redes sociais para alavancar as vendas; 28% por televendas; 27% fizeram entregas diretas; e 22% usaram aplicativos. Agora, com a reabertura parcial, 52%, estimam uma recuperação a médio prazo, 3 a 12 meses. Um porcentual relevante, 36%, responderam que o restabelecimento deve ser longo e só após um ano pelo menos. Para os mais otimistas, que correspondem a 10%, a melhora deve vir em até três meses.

Sobre este aspecto, a FecomercioSP entende que o comportamento do consumidor irá mudar de alguma forma após a pandemia. Os que tinham receio, por exemplo, de comprar online por conta de medo de fraude no cartão ou na entrega perceberam que é uma modalidade segura, com isso, o e-commerce tende a se consolidar, e será importante, num segundo momento, pensar num planejamento desse canal específico, pois surgem novas demandas, como respostas rápidas sobre produtos, interação nas mídias sociais, precificação diferenciada, entre outras variáveis que torna a venda online um negócio que merece atenção e estratégias especificas.

Para a Federação, com a pandemia as empresas aprenderão que devem ter uma estrutura financeira mais organizada e uma estrutura que permita enfrentar momentos de incertezas. A recomendação é que mantenham uma reserva de fluxo de caixa de pelo menos três meses para pagamento de contas, impostos, funcionários e fornecedores. E à medida que a retomada for expandida, as condições do crédito no longo prazo tendem a progredir, tanto pela taxa de juros baixa, quanto pela maior competitividade entre os bancos, que vem sendo incentivada gradualmente pelo Banco Central.

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