21 Aug 2018


Brasil começa a utilizar novo antibiótico contra superbactérias

Publicado em Saúde
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Acaba de chegar ao mercado um novo antibiótico para o tratamento de pacientes com infecções causadas por algumas bactérias resistentes entre elas, a Pseudomonas aeruginosa, considerada uma das três mais perigosas, segundo alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desenvolvido pela farmacêutica MSD, ceftolozana-tazobactam, comercialmente conhecido como Zerbaxa, é indicado para uso hospitalar e foi aprovado no Brasil pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no início do ano para tratar pacientes com infecções intra-abdominais complicadas e infecções do trato urinário complicadas.

De acordo com estudos clínicos, o novo antibiótico demonstrou 87% de eficácia no tratamento de infecções bacterianas intra-abdominais complicadas, quando comparado ao tratamento padrão com meropeném - eficácia de 83%, antibiótico de referência para o tratamento de bactérias resistentes.  Já para tratamento das infecções do trato urinário causadas por Pseudomonas aeruginosa, os números são ainda mais expressivos e a nova terapia demonstrou eficácia de 75%, quando comparada ao levofloxacino (eficácia de 47%), até então, um dos tratamentos contra esta infecção[1].

Mas superbactérias existem mesmo?

Resistência bacteriana é um assunto que vem sendo discutido mundialmente. Estima-se que 700 mil pessoas morram anualmente em todo o mundo devido ao fenômeno. Dados divulgados recentemente revelam que, se nada for feito, até 2050 as infecções por bactérias multirresistentes poderão matar 10 milhões de pessoas no mundo por ano, impacto maior que a mortalidade por câncer.

“Hoje em dia, ainda há uso de antibióticos de forma indiscriminada na medicina e veterinária, além da pecuária e agricultura. Isso resulta em uma importante pressão seletiva de bactérias. Ceftolozana-tazobactam é uma arma importante que está chegando ao mercado para auxiliar os médicos nessa luta, pois ainda perdemos pacientes com infecções por bactérias multirresistentes”, explica a Dra. Lessandra Michelin, infectologista na Universidade de Caxias do Sul, mestre e doutora em Biotecnologia e Vacinologia pela Université de Genève.

No Brasil, dados da Anvisa apontam que cerca de 25% das infecções registradas no país são causadas por micro-organismos multirresistentes[3] – aqueles que se tornam imunes à ação dos antibióticos.

Quando se fala somente em P. aeruginosa, até 40% dos casos detectados no país apresentam resistência aos carbapenêmicos, como o meropeném, que é o antibiótico mais usado para tratar infecções graves. “Ceftolozana-tazobactam será importante no tratamento do que chamamos bactérias Gram-negativas, principalmente pseudomonas, que são resistentes a vários antibióticos”, destaca a Dra. Lessandra Michelan.

Sem antibióticos eficientes contra superbactérias, muitos procedimentos médicos, como cirurgias e quimioterapia para pacientes com câncer, por exemplo, poderiam  ser suspensos ou postergados. “Nós utilizamos antibióticos em complicações infecciosas de diversos procedimentos hospitalares, o que possibilitou inúmeros avanços em várias áreas da saúde, incluindo os transplantes, por exemplo. Se as bactérias se tornarem resistentes aos antibióticos que temos disponíveis hoje, poderemos voltar à era pré-antibióticos, onde um simples ferimento infectado poderá causar graves danos”, alerta o Dr. Clóvis Arns, infectologista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).  

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