12 Nov 2018


Transtorno Bipolar pode afetar 6 milhões de brasileiros

Publicado em Saúde
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Segundo a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), os estudos epidemiológicos sugerem que cerca de 1% a 6% da população tenha a doença. Estima-se, ainda, que 6 milhões de brasileiros possam sofrer com o transtorno. Inclusive, artistas como Catherine Zeta-Jones, Ben Stiller, Jim Carrey, Jean-Claude Van Damme, Rita Lee, Cássia Kiss e o ator Maurício Mattar já revelaram lutar contra a síndrome - condição psiquiátrica que pode ser caracterizada por sérias e intensas alterações de humor.

Apesar da alta incidência, o Transtorno Bipolar (TAB) sofre com a falta de informação e, consequentemente, preconceitos. E para desmistificar, conscientizar e tirar possíveis dúvidas, Ana Fraia, psicóloga e gestora do Hospital Dia da Clínica Maia, esclarece a seguir alguns mitos e verdade sobre o distúrbio.

PESSOAS COM O TRANSTORNO NÃO CONSEGUEM TER UMA VIDA NORMAL

MITO – "Com um diagnóstico adequado e um tratamento correto, pessoas com TAB podem ter uma vida normal sim. É necessário, apenas, seguir as orientações médicas e terapêuticas com profissionais indicados e qualificados. Não existe cura, porém é possível controlar os sintomas, promovendo a qualidade de vida do paciente."

O TRATAMENTO É PARA A VIDA TODA

VERDADE – "Após o diagnóstico, é feito um acompanhamento psiquiátrico permanente. Porém, o tipo de tratamento vai depender da fase, da evolução da doença e se os sintomas estão mais controlados ou não. O ajuste medicamentoso deve ser feito mensalmente, assim o médico pode avaliar os sintomas, de forma a monitorá-los e regulá-los. Além disso, a psicoterapia é altamente indicada e traz resultados bastante eficazes."

ALTERAÇÕES DE HUMOR SÃO NECESSARIAMENTE SINAIS DA SÍNDROME

MITO – "As alterações de humor fazem parte do quadro de TAB, mas não são necessariamente sinais da doença. A síndrome se caracteriza por alterações de humor constantes, porém com alta intensidade e frequentes, capaz de alterar funções como apetite, sono, energia e que podem levar a pessoa a sofrer prejuízos sociais, desestabilizando, inclusive, entes queridos. Tudo isso sem motivos aparentes. É necessária sempre uma avaliação psiquiátrica para um diagnóstico preciso e adequado. "

A DEPRESSÃO, EM ALGUNS CASOS, PODE ESTAR DENTRO DO QUADRO DO TRANSTORNO

VERDADE – "Sim, a depressão faz parte do quadro, que se caracteriza por oscilações entre a euforia intensa e a tristeza profunda (depressão)."

O TRANSTORNO TEM UMA FASE CHAMADA DE "MANIA"

VERDADE – "Sim, mania é a fase de estado e humor exaltado, onde a pessoa se sente muito bem, mas de forma excessiva e inadequada. A alegria ou a sensação de euforia acontece de forma descontrolada. O paciente fica mais agitado, mais irritado, faz atividades em excesso, pode ter alterações do sono, não conseguindo dormir. A euforia é tão intensa que a pessoa não consegue se desligar. Nessa fase, o paciente pode até se colocar em risco, acreditando ser indestrutível e poderoso. Familiares, amigos, pessoas ao redor notam a alteração no comportamento facilmente, que pode vir acompanhada, ainda, de sintomas psicóticos, como alucinações auditivas, visuais ou delírios."

A DOENÇA SÓ AFETA O HUMOR

MITO – "O transtorno afeta também a disposição, os relacionamentos interpessoais, familiares, pode prejudicar o senso crítico, capacidade para tomar decisões e incapacidade de 'administrar' o cotidiano."

TESTES LABORATORIAIS AINDA NÃO CONSEGUEM AUXILIAR NO DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME

VERDADE – "O Transtorno Bipolar ainda não pode ser detectado com exames laboratoriais, embora estudos estejam em andamento. Só que alguns exames de sangue podem ajudar a identificar e/ou afastar outras causas que podem estar relacionadas aos sintomas apresentados pelo paciente, por exemplo, uma disfunção hormonal (Tireoide). Exames neurológicos como ressonância magnética e tomografia podem também auxiliar a descartar condições neurológicas."

A DOENÇA É NECESSARIAMENTE HEREDITÁRIA

MITO – "O distúrbio pode contar sim com o fator hereditário, no entanto vários outros fatores contribuem para o desenvolvimento da doença, como aspectos ambientais e psicossociais. Fatores genéticos são fatores de risco, assim como fazer abuso de substâncias que atuam no sistema nervoso central (álcool, maconha, cocaína, entre outros) e aspectos sociais também podem estar associados, tais como ambientes com alta carga de conflitos ou situações traumáticas. Podemos afirmar que pessoas com histórico de TAB na família apresentam, de fato, maior pré-disposição para desencadear a doença, mas não necessariamente irão desenvolvê-la."

MUITAS PESSOAS SOFREM ANOS COM O DISTÚRBIO SEM SABER QUE O POSSUEM

VERDADE – "Muitas vezes, por falta de informação, diagnósticos malfeitos e falta de acolhimento familiar, a pessoa pode sofrer com a doença, mas não saber e não entender o que possui. Por isso, muitas vezes ela não procura ajuda, até mesmo por se 'envergonhar' dos sintomas ou achar que faz parte da personalidade dela se comportar de tal forma. Para diagnosticar o Transtorno Afetivo Bipolar, o profissional deve, primeiramente, verificar a presença dos episódios maníacos e depressivos, cujos critérios estão presentes no Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais — 5ª edição (DSM-5)."

O TRANSTORNO BIPOLAR SÓ AFETA JOVENS

MITO – "O transtorno pode acometer a pessoa em qualquer fase de sua vida, desde a infância, adolescência até idade adulta e terceira idade."

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