17 Feb 2019


Estudo da FMABC vê potencial benéfico de sucos industrializados

Publicado em Saúde
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A recente preocupação com o estresse oxidativo das células humanas, que pode ocasionar sérios efeitos nocivos ao organismo, tem aumentado o interesse da comunidade científica em determinar a capacidade antioxidante total de alimentos consumidos pela população – especialmente os industrializados. Acredita-se, como regra geral, que quanto maior a capacidade antioxidante do alimento, maior a possibilidade de suprimir o excesso de radicais livres, ou seja, a parcela que não é neutralizada espontaneamente pelo organismo e que pode levar ao estresse oxidativo celular.

Apesar da quantidade elevada de açúcares, os sucos de frutas industrializados em embalagens ‘Tetra Pak’ tornaram-se uma das bebidas mais consumidas no mundo, principalmente pela maior conveniência e pelo fato de serem fontes de vitaminas, compostos fenólicos, minerais e fibras. A capacidade antioxidante desses produtos está relacionada, sobretudo, à presença de polifenóis e vitaminas. No entanto, as embalagens desses sucos trazem informações nutricionais com dados sobre gorduras, carboidratos, açúcares, sódio e calorias, mas não há nenhuma menção sobre a capacidade antioxidante da bebida – ou seja, o potencial benéfico para neutralização de radicais livres.

Essa informação ausente ocorre, pois, ainda não há um método universalmente adotado para quantificar a capacidade antioxidante desse tipo de bebida. Pensando nisso, a aluna de mestrado da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), Maryane Woth de Souza, desenvolveu como dissertação um novo método colorimétrico, de baixo custo e fácil execução, capaz de preencher essa lacuna. O estudo completo com a técnica criada na FMABC acaba de ser publicado no periódico científico Canadian Journal of Chemistry (volume 97, fascículo 1, páginas 61-66, janeiro de 2019) e está disponível no site http://www.nrcresearchpress.com/loi/cjc.

Antioxidantes

Os principais compostos antioxidantes presentes em frutas cítricas como a laranja, o limão e a tangerina, por exemplo, são o ácido ascórbico e os flavonoides. Sucos de uva e morango contêm, principalmente, polifenóis, flavonoides (antocianinas e flavanóis), estilbenos (resveratrol), ácidos fenólicos (derivados dos ácidos cinâmico e benzoico) e uma grande variedade de taninos.

“Esses grupos de compostos são capazes de remover radicais livres que, em excesso, podem atacar uma célula normal e gerar danos em biomoléculas, como proteínas e DNA. São situações que estão relacionadas à origem de doenças do envelhecimento e a outras patologias, como doenças cardiovasculares e até mesmo certos tipos de cânceres”, alerta o orientador do trabalho e professor titular de Química Analítica da FMABC, Horacio Dorigan Moya.

Reação química indica a capacidade antioxidante das amostras

Sob o título “Method for quantification of antioxidant capacity of processed fruit juices exploring the formation of the Fe(II)/3-hydroxy-4-nitroso-2,7-naphthalenedisulfonic complex”, o estudo da Faculdade de Medicina do ABC utiliza uma reação química entre íons ferro e o Sal Nitroso R (ácido 3-hidroxi-4-nitroso-2,7 naftalenodisulfônico). Baseia-se na formação de um composto verde brilhante, cuja intensidade de cor é proporcional à capacidade antioxidante das amostras de sucos de frutas testadas.

As bebidas foram divididas em três grupos, tendo em vista a disponibilidade dos sucos encontrados nos supermercados: uva, laranja, maracujá, caju, pêssego e morango. Nas amostras analisadas, a capacidade antioxidante obtida foi maior no suco de uva, seguida pelo suco de laranja, e depois pelos demais sabores. Os resultados da FMABC foram comparados ao método baseado no consumo do radical livre colorido ABTS (utilizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e revelaram excelente concordância.

“O novo método que sugerimos é mais atraente do ponto de vista ambiental, porque a reação é conduzida em meio aquoso e o principal composto utilizado pode ser recuperado, evitando danos ao meio ambiente”, explica Horacio Dorigan Moya, que completa: “Foi a primeira vez que usamos essa reação para quantificar a capacidade antioxidante de sucos de frutas industrializados. Embora esse tenha sido o alvo do projeto de mestrado, o método proposto pode ser aplicado em sucos naturais e também para frutas in natura”.

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