08 Jul 2020


Dia do Orgulho Autista auxilia na quebra do preconceito

Publicado em Saúde
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No dia 18 de junho, comemorou-se o Dia do Orgulho Autista, uma data muito importante para o combate à desinformação sobre o autismo. Cristina Rohrbacher é mãe de Pedro e Rafael, gêmeos com diagnóstico de espectro autista, e luta para que as famílias possam conhecer seus direitos. “As datas comemorativas são importantes tanto para os autistas como para os pais. Antes, o Transtorno do Espectro Autista não era comentado nas escolas, na saúde, na sociedade,  por não ser falado, especialmente nos consultórios, muitos pais tinham vergonha do diagnóstico e do filho fazendo com que eles ficassem escondidos dentro de casa”, comenta.

Cristina explica que descobriu o autismo do filho pela tela do computador. “Tive uma gestação de gêmeos tranquila, as crianças nasceram e cresceram, tudo no seu tempo. De dois para três anos, o Pedro começou a demonstrar muita irritabilidade com barulho e espaços com muitas pessoas, ele tinha costume de girar muito os brinquedos. Depois de algum tempo, percebi que a fala estava demorando um pouco para aparecer. Em uma reunião de família, uma das minhas primas que é professora, me perguntou se sabia o que era o autismo. Chegando em casa, sentei na frente do computador e descobri o autismo do meu filho. Foi muito forte para mim. A partir daí, precisei ir em busca de todas as necessidades do Pedro e passei em um médico que me confirmou o diagnóstico”, explica a propagandista, que parou de trabalhar para se dedicar às crianças.

Depois de um tempo, veio o segundo laudo: o autismo de Rafael.“Não desconfiava, porque ele falava, aprendia, se comunicava muito bem, brincava e era independente, mas, dos cinco para seis anos, a escola notou essa diferença, e recebi o segundo laudo. Foi o mesmo processo, mas tive que me erguer muito mais rápido, porque tinha dois, e precisava correr atrás”, comenta Cristina.

A mãe dos gêmeos buscou suprir as necessidades dos filhos dentro da inclusão, usando os serviços públicos de Santo André. Hoje, as crianças são alunos inclusivos, participam das terapias que a cidade oferece, como natação adaptada e Centro de Atendimento Odontológico. “Depois do diagnóstico, as coisas mudam muito, as crianças têm que ter um ritmo de terapia e de escola, que é diferente, têm que ter mais empenho, a gente não volta ao trabalho, para que as crianças tenham a oportunidade de evoluir”.

Para Cristina, ainda há muita dificuldade, preconceitos. Datas como 18 de junho e 2 de abril (Dia Mundial de Conscientização do Autismo), auxiliam no combate à desinformação. “O autismo é mais difícil de ser entendido porque ele não tem uma aparência, as pessoas confundem com birra, criança mal educada. Quanto mais as pessoas estiverem informadas, é melhor, para que não haja tanta injustiça, preconceito. As pessoas precisam compreender e aceitar o autismo. Precisamos de mais sorrisos”, conta.

Uma das ações que podem fazer a diferença, segundo Cristina, são políticas públicas dos municípios para auxiliar os pais. “A cidade precisa dar suporte às famílias que, após o diagnóstico, ficam desamparadas. Depois que descobri o autismo, comecei a participar de muitos conselhos, fóruns, para me informar. Meu envolvimento foi sendo cada vez maior. Isso fez com que conhecesse muitas pessoas, famílias, temos um grupo de mães que se ajudam muito, que faz a diferença. Depois do diagnóstico, você não sabe o que fazer. Se você não tem esse apoio, que a gente espera que venha da cidade, também, fica mais difícil”, afirmou.

A mãe de Pedro e Rafael deixa uma mensagem, para as famílias que também têm filhos com espectro autista em casa: “O importante é que as famílias busquem seus direitos, que os nossos filhos evoluem, que há muitas vitórias pela frente. Queremos que nossos filhos sejam respeitados e felizes”, diz.

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