23 Nov 2017


Mais de 1 mil imóveis de Campos do Jordão deixam de enviar esgoto

Publicado em Saúde
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Campos do Jordão, a Suíça brasileira, possui uma das mais modernas estações de tratamento de esgotos do país, mas, mesmo assim, 915 clientes não ligaram suas casas à rede coletora disponível. Com isso, eles jogam seu esgoto nos rios da cidade em vez de mandá-lo para tratamento. O problema ocorre em diversos bairros do município, tanto em áreas centrais e badaladas, como Capivari, Vila Inglesa e Altos do Capivari, quanto em regiões mais afastadas do centro.

 Quase 10% dos imóveis sem conexão são comerciais ou pequenas indústrias, como padarias.  Ou seja, a enorme maioria dos casos em que o esgoto deixa de ser tratado acontece em casas.  Em junho, a prefeitura publicou um edital dando 120 dias para todos os imóveis pendentes se conectarem à rede da  Sabesp.  Uma medida importante para uma cidade que tem no turismo sua principal atividade econômica e de geração de empregos. A ligação de esgoto é obrigatória para quem reside em área urbana e tem imóvel em rua que dispõe de coletores. A obrigatoriedade da conexão está prevista na Lei Nacional do Saneamento (11.445/07), no decreto federal que regulamentou essa legislação (7.217/10) e na deliberação 106/09 da Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo).

A fiscalização cabe à prefeitura de cada cidade e ao Ministério Público, já que a Sabesp não tem poder de polícia. Fiscais do município e promotores, no entanto, podem multar e até mesmo processar os moradores que não se ligam à rede. Esses imóveis são chamados de factíveis (quando há rede coletora disponível na porta, mas o dono não se conecta).

Quem não conecta o imóvel à rede coletora, mesmo tendo a tubulação na porta, provoca um grande prejuízo ambiental. Joga o esgoto na galeria de chuva, por exemplo, o que explica o cheiro ruim de algumas bocas de lobo. Pode também atingir córregos abertos ou canalizados. A sujeira que passa pelo córrego ou pela galeria pluvial seguirá até um rio maior. Além disso, a saúde pública também é afetada, já que a destinação adequada de esgoto ajuda a evitar a proliferação de doenças de veiculação hídrica.

A região do Vale do Paraíba, onde está Campos do Jordão, apresenta o terceiro maior número de ligações factíveis, com 10,8 mil imóveis não conectados em todos os municípios atendidos pela Sabesp na região. A Grande São Paulo e a Baixada Santista concentram o maior número de clientes que poderiam levar o esgoto para tratamento e não o fazem. Em toda a área atendida pela Sabesp no Estado de São Paulo, são 180.934 imóveis factíveis.

Em Campos do Jordão, tratamento de esgoto de ponta

Em 2014, quando entrou em operação, a Estação de Tratamento de Esgotos de Campos do Jordão era a primeira a utilizar membrana ultrafiltrante para tratamento do esgoto doméstico no Brasil. Essa tecnologia de ponta garante um alto grau de purificação do esgoto. O investimento da Sabesp no município foi de R$ 106 milhões na coleta e tratamento. Em 2014, quando a ETE entrou em funcionamento, havia 121 quilômetros de rede. De lá para cá, mais 66 quilômetros de tubulação foram instalados na cidade, e a rede ainda está sendo ampliada. A estação tem capacidade para tratar 213 litros por segundo.

A estação é a primeira totalmente coberta no Brasil. Plantas semelhantes existem em países como França, Japão e Principado de Mônaco. A construção em ambientes fechados permite que os gases oriundos dos processos sejam confinados e tratados antes serem lançados no meio ambiente, reduzindo assim o odor exalado dos tanques. A ETE foi projetada para atender a toda a demanda atual da população de Campos do Jordão, bem como a população flutuante, de cerca de 30 mil pessoas. As instalações comportam, ainda, o crescimento populacional (fixo e flutuante) previsto até 2035.

Última modificação em Terça, 24 Outubro 2017 10:27
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