14 Nov 2018

Publicado em TITO COSTA
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A Companhia Paulista de Estradas de Ferro, cujos trens de passageiros ou de cargas, faziam parada na estação de Torrinha, era um modelo de organização empresarial. A gente acertava o relógio de casa ou do bolso pelo apito do trem quando deixava a estação.  Era de uma pontualidade para orgulhar qualquer empresa que prestasse serviço público de qualidade. E havia o costume de irem passear na estação moças e moços para ver a passagem dos trens de passageiros.
A CPEF era organização perfeita, ao ponto de Monteiro Lobato escrever no prefácio de um de seus livros: se quisermos botar ordem e eficiência nos serviços públicos do Brasil é só deixar para a Paulista administrar. Assim se designava “a Paulista” para a ela se referir. Funcionários devidamente uniformizados tanto nas estações como a bordo dos trens.  No carro restaurante só se podia entrar de terno e gravata.
Depois da desapropriação das ações da Paulista pelo governo do Estado de São Paulo, tudo mudou.  E, claro, para pior. Os trens de passageiros desapareceram. Os de carga que ainda passam pela velha Estação de Torrinha envergonham qualquer um. É a Rede Ferroviária Federal assumindo um serviço de transporte de cargas, em vagões velhos, todos aos pedaços, rabiscados por fora, os maquinistas às vezes sem camisa nos dias de muito calor, espetáculo desolador num país jogado às traças nestes dias tristes destes últimos anos.
O Brasil, diz nota recente de jornal, “não usa quase um terço de seus trilhos ferroviários, além de deixar apodrecer boa parte da pouca estrutura que possui nessa área”. Segue a nota: os dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontam que “dos 28.218 kms. da malha ferroviária, 8,6 mil kms.  – o equivalente a 31% - estão completamente abandonados e deteriorados, ou seja, são trilhos que não poderiam ser usados, mesmo que as empresas quisessem”. (cf. Folha de S. Paulo, ed. de 07/06/2018, matéria assinada por André Borges, de Brasília). Essa matéria tem, entre outras informações entristecedoras, os seguintes números: no Brasil 63% do transporte de cargas são feitos por rodovias; 21% são transportadas por ferrovias; 13% por hidrovias; 3% por estruturas de dutos. Tais dados mostrados pela Folha de S.Paulo, em 7 de junho passado, como acima referido, apontam para esta triste realidade: no ano de 2017 somente 6,5% dos investimentos públicos do governo foram destinados “ao setor logístico”; as rodovias receberam 85% do total investido.  “Aplausos” ao capital estrangeiro: petróleo, pneus, montadoras de veículos automotores, etc. etc. Enquanto isso, na Europa há sérios planos para investimento no transporte rodoviário: 28 bilhões de euros nos próximos anos.
E nós continuaremos a ser uma colônia, “gigante pela própria natureza”, pois o “gigante” precisa ainda despertar de um sono inteiramente impatriótico e comprometido.

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