16 Oct 2018

Publicado em TITO COSTA
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12/05/12

Esse costume, já arraigado entre nós, de transmitir ao vivo, pela TV, sessões da Câmara Federal, do Senado, dos Tribunais Superiores em Brasilia, de legislativos estaduais e municipais por esse Brasil afora, põe às claras as vaidades de cada um. E é um tal de exibir-se cada orador, como que se realizando na mostração  de seus dotes oratórios e pessoais, sejam lá quais forem eles. Agora, então com a CPI do Carlinhos Cachoeira, apontado como corruptor de autoridades as mais diversas, a exibição deverá chegar ao máximo. Alí poucos são santos, mas todos buscam dissimular a face verdadeira com a máscara de outra pessoa que se esconde por trás dela. É uma verdadeira política do espetáculo, da qual o presidente renunciante Jânio Quadros foi o precursor com seus trejeitos e sua fala rebuscada. Lula foi e é bom artista nessa história de protagonizar espetáculos nos palanques e no exercício da presidência.
Como advogado que sou, e militante ainda, costumo ver pela TV Justiça sessões do Supremo Tribunal Federal e, especialmente, do Tribunal Superior Eleitoral. Este agora com nova e luxuosa sede em Brasilia, numa exibição desnecessária de gastos perdulários e excessivos para acomodação da Justiça que, por natureza, haveria de se comportar com sobriedade, modéstia, discrição. Mas, assim não tem sido. Outro exemplo desse esbanjamento de dinheiro público é a sede do STJ (Superior Tribunal de Justiça) em Brasilia, cujo enorme prédio e suas instalações mais perecem um clube de altíssimo padrão e conforto para os dignos magistrados, com direito a salão de festas, churrasqueira e tudo mais.
Nas sessões de julgamento nesses Templos da Justiça, mormente no Supremo, a transmissão pela TV tem conduzido suas excelências a uma postura de exibicionismo sem limites. Na apreciação dos casos mais rumorosos, cada ministro procura esmerar-se um mais que outro na leitura de seu voto. E são votos longos, carregados de citações, quase sempre monótonos, numa reiteração de argumentos, sob roupagem diferente, e a TV firme enfocando cada gesto, cada aparte dos demais, verdadeiro espetáculo para deleite, ou enfado, dos espectadores. 
E assim segue a fogueira das vaidades na razão inversa da simplicidade e do recato com que deve atuar o verdadeiro juiz. Pois que, investido do poder de Estado para a difícil e até mesmo sagrada tarefa de julgar seus semelhantes, estará cumprindo obrigação  que lhe impõe a Constituição: a justa prestação jurisdicional às partes litigantes e, enfim, à sociedade.

Tito Costa é advogado, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ex- deputado federal constituinte de 1988. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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