10 Dec 2018

Publicado em TITO COSTA
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07/07/2012

Certa vez voltando de Torrinha para São Paulo paramos em lanchonete da estrda para um "banheiro" e um café. Meu neto de onze anos vê num grande vaso de vidro posto no balcão pequenas bolinhas de chocolate. Comenta:  - olha vô, parece cocô de cabrito. Achei curiosa a observação, somente possível de parte de uma criança criada em cidade do interior do Estado, em contato  com as coisas do campo. Um menino criado na cidade de São Paulo, por exemplo, jamais faria comentário semelhante.
Um outro menino da cidade, em férias, construía na areia da  praia o que parecia um castelo. Indagado por um passante sobre o interesse do "arquiteto" em construir um castelo, respondeu o garoto: - não é um castelo, é um condomínio fechado. Eis aí um enfoque diverso daquele do meu neto sobre o cocô do cabrito.  Ao neto   jamais ocorreria esculpir algo relativo a condomínio de que talvez nunca ouvira falar. Assim como ao "escultor" do condomínio fechado, certamente nunca lhe ocorresse falar de um cabrito que não conhecia "em pessoa" e, menos ainda, sobre o seu dejeto.
Menina criada na grande cidade pergunta ao pai: - por que a Cinderela não deu ao Príncipe o número de seu celular? Questão que nunca passaria pela cabeça de qualquer criança criada na roça, no interior do Estado.
Num bairro periférico de São José dos Campos-SP em concurso de desenhos entre os alunos de modesta escola rural predominavam figuras de bichos como sapos, lagartixas e cobras. Era o mundo deles nascido de suas cabecinhas ingênuas, afastadas do chamado "progresso". Embora, convenhamos, a televisão possa prestar pelo menos, também nas periferias das cidades, esse serviço de informar sobre coisas do mundo distante.
E os barquinhos de papel nas águas correntes das chuvas à beira das calçadas?  Só quem viveu essa alegria da infância sabe avaliar os encantos encartados em tão ingênua aventura.  Com razão a escritora Marguerite Yourcenar (Memórias de Adriano). Perguntada sobre o que é importante lembrar, respondeu: -  o quintal da nossa infância.
Crianças de hoje, em maioria, por certo, nada sabem do quintal de uma perdida infância, agora inteiramente mergulhada nos estertores  sufocantes de grandes  cidades com gente apressada, mecanizada,  sem cabritos, sem quintais.

Tito Costa é advogado, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ex- deputado federal constituinte de 1988. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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