23 Sep 2018

Publicado em TITO COSTA
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Em sessão histórica de 12 de setembro de 2016, a Câmara Federal cassou o mandato de deputado de seu ex-presidente Eduardo Cunha. Foram 336 dias da movimentação de um processo interno daquela Casa, com idas e vindas, questões de toda ordem, com evidentes propósitos protelatórios, sob a invocação do direito de ampla defesa, levado ao paroxismo de incontáveis caprichos políticos.  O resultado da votação tem alto significado: 450 votos pela cassação, 10 contrários e algumas ausências. E, de quebra, sua inelegibilidade por oito anos, na conformidade da lei da ficha limpa. No caso, ficha suja.
Mas, a sociedade, como um todo, aguardava por esse desfecho com significado político que repercute além dos estreitos limites da Câmara, ou do Poder Legislativo (Câmara e Senado), um dos poderes de Estado, em parelha com o Executivo e o Judiciário.
Político sagaz, atuante, Cunha agia sempre com mão forte, e desembaraço invulgar, prestigiando seus pares e atendendo-os com todas as concessões que o poder lhe permitia.
Não há exagero em afirmar-se que foi o mais poderoso presidente da Câmara, desde Ulysses Guimarães. Este, de estilo completamente diferente, sem grandes alardes, calmo, mas firme no agir, chegou a empalmar três presidências a um só tempo: a do seu partido, o PMDB, a da Câmara dos Deputados e a da Assembléia Constituinte. Ao promulgar, em nome da Casa, a Carta de 1988, classificou-a de a Constituição Cidadã, advinda depois de um período de restrições às liberdades, dos tempos do regime militar (1964-1985). Ulysses tinha o respeito, o apoio e aplausos da sociedade; Cunha, não. As ruas prestigiavam Ulysses pelo seu comportamento dentro dos rigores de ética. Com Cunha foi diferente: as ruas desejavam-no fóra. Igualmente poderosos, Ulysses atuou sempre atento aos seus deveres éticos. Cunha extrapolou propiciando a cassação de seu mandato.
Ulysses morreu tragicamente, em acidente aéreo, durante o seu mandato de deputado federal. Cunha foi alijado da presidência da Câmara por determinação da justiça; e, do mandato, por decisão de seus pares, na histórica sessão de 12 deste mês de setembro de 2016.
Agora, sem as proteções de foro privilegiado, responderá perante a justiça comum pelas faltas, pelos crimes de cuja prática vem sendo acusado.  E com todas as garantias processuais de ampla defesa para tentar provar a sua sempre tão alardeada “inocência”.

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