MIRANTE

01 de Agosto de 2026

Interferência
Membros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da sua pré-campanha avaliam a recente ofensiva, em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, como tentativas de interferência estrangeira na eleição brasileira e temem que as investidas se tornem mais intensas às vésperas da votação.

Interferência I
A preocupação é com os dias anteriores à eleição, que acontecerá no domingo (4) de outubro, e com as redes sociais, devido à pressão de Trump sobre as empresas de tecnologia. Aliados do presidente Lula apostam em uma ação preventiva do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para coibir ferramentas de inteligência artificial na campanha, mas a avaliação é de que não teria como evitar uma articulação estrangeira em grupo.

Tarifaço
A maioria dos jovens sabe pouco ou nada sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Levantamento da BTG/Nexus mostra que apenas 18% dos brasileiros de até 24 anos dizem conhecer bem e acompanhar o tema, 22% afirmam saber do que se trata e 37% conhecem pouco sobre o assunto. Já os maiores de 60 anos, 33% afirmam acompanhar de perto a decisão americana, índice acima da média nacional, de 26%.

Ajuda
Metade do eleitorado brasileiro acredita que o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump ao Brasil visa auxiliar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, aferiu pesquisa do Datafolha. Para 52%, a medida tem esse fim, enquanto 37% descartam a tese e 11% dizem não saber. Além disso, metade do eleitorado acreditar que Trump favorece Flávio, 34% dizem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está certo quando diz que a culpa é do rival. Já 26% afirmam que Flávio está certo ao dizer que o governo brasileiro falhou.

Desafio
O cenário político em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, pode ser mais desafiador para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do que o esperado, mesmo com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado à presidência, pretende colocar a capilaridade do partido no Estado a serviço da candidatura do ex-governador de Goiás.

Kinder Ovo
O PSD oficializou em São Paulo, no domingo (26) de julho, a candidatura de Ronaldo Caiado à presidência do Brasil. Formando chapa com Gilberto Kassab, presidente do partido. Na ocasião, Caiado classificou o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) como “candidato Kinder Ovo, com uma surpresinha a cada dia”. Também criticou as polêmicas provocadas pela polarização, lembrando que “quem rouba com a mão esquerda ou com a mão direita, é ladrão”.

Mais tempo
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), terá o tempo de propaganda eleitoral a que terá direito no rádio e na televisão quase que triplicando. Tarcísio atraiu para sua coligação todos os partidos que apoiaram o ex-governador tucano Rodrigo Garcia em 2022. De acordo com projeção feita pelo Estadão, Tarcísio terá 70,8% do horário eleitoral gratuito, contra 29,2% de Fernando Haddad (PT). Assim, é previsto que o governador tenha 6 minutos e 23 segundos de cada bloco de 9 minutos de propaganda exibidos durante o horário eleitoral. Os 2 minutos e 37 segundos restantes ficarão com Haddad.

“Carcísio”
Em 2024, o PSD consolidou sua força política no Estado ao assumir o comando de cerca de um terço das Prefeituras. Ribeirão Preto e São José dos Campos, ambas cidades do interior que figuram entre as dez mais populosas de São Paulo, estão entre os redutos administrados pelo PSD. O PL está em segundo lugar, mas possui pouco mais da metade do número de Prefeituras conquistadas pelo partido de Kassab. A estratégia do PSD, agora, é associar Caiado a Tarcísio. Nos bastidores, integrantes da legenda já apelidaram a dobradinha de “Carcísio”.

Sem convencer
A reaproximação entre o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, foi calculada e negociada para estancar danos de ambos os lados, mas por enquanto, é apenas virtual, e não convence boa parte dos eleitores. Os dois ainda não se falaram a não ser por assessores e por meio de vídeos de redes sociais.

Sem convencer I
Na convenção do PL, no sábado (25) de julho, que confirmou Flávio como candidato, Michelle não participou presencialmente e, no vídeo enviado, de 4 minutos, ela foi protocolar. Mencionou Flávio apenas uma vez, não pediu voto para ele e passou a maior parte da duração da gravação fazendo propaganda do seu próprio trabalho no PL Mulher.

Neutralidade
O MDB anunciou, na segunda (27) de julho, durante a convenção nacional do partido, que ficará neutro e não apoiará nenhum candidato à Presidência em 2026, mesmo sem lançar um nome próprio. O partido definiu que os diretórios estaduais poderão decidir a quem se aliarão de acordo com a disputa local. A prioridade será formar alianças locais para ajudar a eleger governadores, senadores, deputados federais e estaduais emedebistas. “A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nos estados tenha um resultado bastante positivo”, definiu o presidente nacional da sigla, Baleia Rossi.