George Orwell, autor desse livro famosoย 1984, รฉ o pseudรดnimo do inglรชs que se tornou um dos escritores mais lidos em todo o mundo, pois no tal 1984 ele expรดs como que numa profecia situaรงรตes que ocorreriam – ainda estรฃo ocorrendo neste nosso planeta. Um querido amigo doente que visitei recentemente deu-me de presente outro livro desse autor que eu nรฃo conhecia. Nรฃo conheciaย o livro, entenda-se bem, pois o autor jรก lรญ e relรญ vezes quantas, o tal de 1984, sempre fascinado por seu conteรบdo profรฉtico de muito do que vem acontecendo ainda, no delirante mundo em que vivemos. Agora tenho em mรฃos o livro “Verdade” do mesmo Orwell em que ele cuida da Verdade, um tema sobre o qual se dedicou e sobre cujas observaรงรตes temos como novidades cada leitura que se faรงa. ร uma seleรงรฃo de escritos extraรญdos de seus romances, ensaios, cartas com temas sempre fascinantes.
Da “vida de mentiras” encontrada na Birmรขniaย seu primeiro romance ร mentira imposta que se tornava histรณria e viraria verdade exposta nessa sua obra prima: 1984. Segundo se lรช na apresentaรงรฃo do livro o apagamento da verdade รฉ a chave para entendermos esse livro com a forรงa de suas observaรงรตes “delirantes” para a รฉpoca em que ele as fixouย em seu texto. Se a verdade morreu, nunca lhe foi tรฃo fรกcil e importante dizer: viva a verdade!
Sua intenรงรฃo explรญcita era “mover o mundo em certa direรงรฃo, modificar a ideia que as pessoas tรชm sobre o tipo de verdade que deveriam almejar”. Para um observador atento poucos autores sรฃo de fato bem sucedidos nessa tarefa.
Eu conheci seu livro, o tal 1984, quando ainda estudante de direito e senti o sabor de verdadeira profecia contida em seu texto – ainda hoje profรฉtico! ย
Diz um observador a seu respeito que ele era um anarquista conservador quando jovem acabando por repudiarย todas as razรตes que o haviam levado a tomar a decisรฃo de abandonar as razรตes que o levaram a repudiar todas as anteriores. Quando foi lutar na Espanha dentro de obscuro partido marxista-leninista foi contrรกrioย a companheiros seus abrigados na Brigada Internacional. ย
No texto “Oย caminhoย paraย Wigan Pier” mostra Orwell entrando numa mina de carvรฃo e se arrastando por galerias claustrofรณbicas, depois de um quilรดmetro e meio, encurvado, pelas entranhas da terra, chega exausto frente a uma lavra de apenas 66 centรญmetros e se dรก conta de que sequer havia comeรงado seu turno de trabalho. Pessoa com tal fascรญnio pela aventuraย sรณ mesmo poderia ter chegado aonde aportou: num ano de 1984ย que atรฉ aos dias de hojeย causaria os transtornos em sua cabeรงa revolucionรกria, profรฉtica, delirante e confiรกvel. E tambรฉm em nossa cabeรงa nรฃo tรฃo bem preparada em condiรงรตes de compreender seusย escritos.
Sua obra prima – 1984 – atravessa os tempos e parece um livro ter sido escrito ontem, para surpresa dos que o lerem agora. E tambรฉm dos que vierem a ler, anos afora. Pois, ele reรบne observaรงรตes e conceitos escritos hรก mais de trรชs dรฉcadas com a impressionante idรฉia dos que lerรฃo agora, ou depois, que foram escritos ontem. Precisaria mais?













