Cidades

2º Tabelionato de Notas de Santo André se destaca pela excelência nos serviços

À frente do 2º Tabelionato de Notas de Santo André desde 2011, Patrícia Cabral, é de Campinas. Passou no concurso e trocou a vida no interior onde era titular em um Cartório de Registro de Imóveis com três funcionárias, para assumir um cartório em Santo André com 30 colaboradores. Desde então, o 2º Tabelionato de Notas de Santo André cresceu, ampliou o quadro de funcionários e o espaço físico.

   É reconhecido pela excelência nos serviços prestados e no atendimento diferenciado ao cliente. Atenta às novas tecnologias e buscando sempre melhorar os serviços, Patrícia, em entrevista à Folha, relembra sua trajetória até chegar à Santo André, o desafio de mudar de cidade, os obstáculos enfrentados na profissão e destacou os serviços oferecidos pelo cartório. Confira.

Folha do ABC –  Quais são os serviços oferecidos no 2º Tabelionato de Notas de Santo André?

Patrícia Cabral – Nos Tabeliões de Notas em Santo André somos em seis, fazemos procuração, testamento, inventário, divórcio, venda e compra, doação, apostilamento de Haia, reconhecimento de firma, autenticação de cópias. Todos os cartórios de Notas da cidade prestam estes mesmos serviços.    O preço é tabelado, definido em Lei Estadual. O que muda é o ISS de cada município. Contem com os cartórios, não é burocracia, é segurança jurídica. No cartório, você vai encontrar alguém para te ajudar a resolver seu problema, alguém para te ajudar a colocar forma jurídica adequada na situação que você precisa resolver.

Folha – A sra. assumiu como titular do 2º Tabelião de Notas de Santo André, há mais de 15 anos. Neste período, quais foram as principais transformações e conquistas?

Patrícia – Foi muito especial para mim. Vim para Santo André em outubro de 2011, por causa de um concurso público de cartório. Vim com muito medo, muito receio. Eu tinha 30 anos, já tinha experiência em cartório, mas foi um desafio enorme. Acredito que Deus dá para nós aquilo que podemos e temos capacidade de enfrentar. Para mim foi uma mudança muito difícil, mas que depois vi que foi maravilhosa para minha vida. Gostei muito da cidade, não conhecia. Caí de paraquedas em Notas e, em Santo André, foi maravilhoso.

    Surpreendi-me com as pessoas e com o Cartório, tínhamos 30 funcionários. A maioria continua aqui até hoje, são todos honestos, trabalhadores. Hoje, nós crescemos, aumentamos o cartório e o tamanho do quadro, temos 40 funcionários.

   No cartório, precisamos do cliente. Não é porque nós prestamos um serviço público, que é o cliente que precisa de nós. Nós é que precisamos do cliente. No Cartório de Notas, você escolhe onde quer fazer sua escritura, sua procuração. O preço é igual em todos. Então, temos que prestar um serviço de excelência. Temos que ter um ambiente agradável, ar-condicionado, café, pessoas amáveis para receber o cliente e que a pessoa escolha voltar aqui porque ela foi bem atendida. Essa é a nossa missão. Recentemente, começamos nas redes sociais, no Instagram, onde gosto de mostrar os serviços de cartório, que muitas pessoas chamam de burocráticos e chatos, mas explicamos de um jeito que todos consigam entender, com uma linguagem fácil.

Folha – Para 2026, o que planeja implementar no Cartório?

Patrícia – Além das novidades tecnológicas, vamos fazer uma reforma no nosso espaço físico. Sobre mudar de endereço, sempre esteve no nosso radar, mas nossos clientes têm muito receio de nós mudarmos, não querem que a gente mude da Praça do Carmo, que é um lugar tradicional de Cartórios em Santo André. Então, vamos trabalhar com o espaço que temos, para melhorar cada vez mais.

Patrícia Cabral: “No Cartório é tudo correto. Não é a toa, as pessoas confiam nos Cartórios”

Folha – Santo André completa 473 anos, neste próximo dia 8 de abril. Qual a sua relação com a cidade?

Patrícia – Sou de Campinas, no interior de São Paulo. Não tinha nenhuma relação com a cidade. Não conhecia o ABC, quando escolhi este cartório no concurso. Foi uma surpresa enorme. Era titular em um Registro de Imóveis e éramos eu e mais três funcionárias, e assumi um cartório com 30 colaboradores. Hoje, me sinto em casa em Santo André.

Folha – Pela primeira vez, em 75 anos, o Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB/SP), é presidido por uma mulher, e com a participação de 15 tabeliãs, sendo uma delas, a sra. Como diretora, o que planeja executar?

Patrícia – A Ana Paula Frontini é uma amiga muito querida e uma profissional mega competente, muito inteligente. Tenho a honra de fazer parte da diretoria dela. A primeira mulher presidente do Colégio em 75 anos. Não podia ter uma mulher melhor para representar os Tabeliões de Notas. Desde que virei tabeliã, em 2011, faço parte da diretoria do Colégio. É uma honra, é um trabalho invisível, trabalhamos muito, fazemos em prol da classe. A Dra. Ana Paula tem muito a contribuir.

Folha – A sra. ao longo da sua trajetória profissional, enfrentou algum obstáculo por ser mulher? Como avalia o papel das tabeliãs no universo dos Cartórios de Notas?

Patrícia – Enfrentei muitos obstáculos. Tinha 26 anos, trabalhava em um escritório grande em Campinas e saí para virar registradora civil, em um Cartório pequeno. Era eu e uma funcionária.  Teve uma vez que uma pessoa não concordou com minha opinião em um caso de divórcio e mandou chamar meu pai no Cartório. Meu pai é médico ortopedista. Eu disse: ‘Olha, se você tem algum problema no joelho, eu posso chamar meu pai. Mas, no Cartório, a palavra final é minha’. Às vezes, principalmente com homens, passamos por situações que tentam nos diminuir, tentam tirar nossa autoridade, nos rebaixar. Mas, vamos aprendendo. Hoje, acho difícil alguém tentar fazer isso comigo. Sou mais confiante, segura. Estou na atividade há 20 anos. Mas, na época me desestabilizou bastante.

   Somos restritos no que podemos fazer, somos fiscalizados pelo Poder Judiciário. Às vezes recebemos propostas absurdas, como reconhecimento de firma com data anterior. No Cartório é tudo correto. Não é a toa, as pessoas confiam nos Cartórios.

Folha – O que já é possível fazer de maneira extrajudicial? Além deles, o que ainda poderá vir a mudar para modernizar e tornar os serviços mais acessíveis?

Patrícia – Os Atos Eletrônicos Notariais já estavam no radar do Colégio Notarial do Brasil Seção São Paulo (CNB) há muito tempo, muito antes da pandemia. Quando veio a pandemia, criamos o e-notariado. Hoje, muitos atos são feitos de forma eletrônica. No cartório, mais de 30% das escrituras são eletrônicas hoje. Acho que as estruturas físicas dos cartórios vão diminuir, é fato. Ninguém quer sair de casa, pegar carro, ônibus para fazer algo no cartório que pode ser feito pelo celular. Com o aplicativo do e-notariado, você pode assinar escritura de qualquer lugar do mundo.

   A segurança que traz no ato eletrônico é até maior que no ato físico, pois a videoconferência fica gravada para sempre. É muito seguro, comparamos a foto, assinatura, dados em todos os cartórios. Em seguida, validamos com o Denatran. Ainda fazemos uma videoconferência para emissão do certificado digital. Temos diversas soluções eletrônicas. Tudo que não tem briga, não precisa o juiz intervir, e o Cartório pode resolver. Mais barato, mais rápido, mais fácil. É o futuro, quanto menos judicializar, melhor para todos. 

ELOGIOS DOS FUNCIONÁRIOS

   O 2º Tabelionato de Notas de Santo André tem em seu quadro de funcionários, colaboradores com mais de 50 anos de casa. É o caso de Tereza Takako Sato. A funcionária comenta que já trabalhou com diversos tabeliões, mas que a Patrícia é a maior chefe que já teve. “Ela é humana, excelente profissional, é melhor tabeliã que já tivemos”, comenta.